Publicidade
Capa / Econômia

Eletronuclear tem caixa para três meses e quer renegociar empréstimos com bancos públicos,

O diretor-presidente interino da Eletronuclear, Alexandre Caporal, afirmou em entrevista ao g1 que a estatal não deve pedir aporte de recursos ao Tesouro Nac...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 05/01/2026 às 13:51 · Atualizado há 3 horas
Eletronuclear tem caixa para três meses e quer renegociar empréstimos com bancos públicos,
Foto: Reprodução / Arquivo
O diretor-presidente interino da Eletronuclear, Alexandre Caporal, afirmou em entrevista ao g1 que a estatal não deve pedir aporte de recursos ao Tesouro Nacional para honrar seus compromissos financeiros.

Sem essa interrupção, explicou ele, a empresa vai "sangrar até morrer". Caporal define a situação da Eletronuclear como "crítica".

O diretor-presidente da estatal afirmou que a Eletronuclear está em um "nível de caixa totalmente baixo". Por conta disso, explicou que a empresa só vai conseguir honrar seus compromissos por um período relativamente curto de prazo, de dois a três meses.

A suspensão dos pagamentos, que já foi concedido por seis meses em 2024, daria fôlego financeiro para a Eletronuclear até que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) defina o destino da usina nuclear de Angra 3 – cujas obras estão paradas há cerca de 10 anos.

O diretor-presidente interino da Eletronuclear, Alexandre Caporal, afirmou em entrevista ao g1 que a empresa está em um "nível de caixa totalmente baixo". Por conta disso, explicou que a empresa só vai conseguir honrar seus compromissos por um período relativamente curto de prazo, de dois a três meses.

Segundo o presidente, a estatal não deve pedir aporte de recursos ao Tesouro Nacional para honrar seus compromissos financeiros, mas que será necessário que bancos públicos que emprestaram quase R$ 7 bilhões à estatal suspendam temporariamente a cobrança da dívida.

Sem essa interrupção, explicou ele, a empresa vai "sangrar até morrer". Caporal define a situação da Eletronuclear como "crítica".

🔎 O Tesouro Nacional é um órgão do Ministério da Fazenda responsável por gerenciar as finanças públicas, a dívida federal e os recursos arrecadados, atuando para garantir o equilíbrio fiscal do país e administrar o dinheiro de impostos e os gastos do governo.

🔎 Aporte é uma injeção de dinheiro. Nas estatais, o governo pode aportar recursos para cobrir déficits, financiar investimentos, capitalizar a empresa ou manter os serviços funcionando, especialmente aquelas que não geram receita suficiente para cobrir suas despesas.

A suspensão dos pagamentos, que já foi concedido por seis meses em 2024, daria fôlego financeiro para a Eletronuclear até que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) defina o destino da usina nuclear de Angra 3 – cujas obras estão paradas há cerca de 10 anos.

O serviço da dívida deve somar R$ 800 milhões neste ano, afirmou Caporal. Com os gastos em manutenção da usina, os valores totais com Angra 3 superam R$ 1 bilhão por ano.

Segundo Caporal, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) resiste à interrupção dos pagamentos diante da indefinição sobre Angra 3. Em 2024, a medida foi autorizada em função da expectativa de uma resolução para o projeto.

Caporal diz que sem uma sinalização clara sobre quando o impasse sobre Angra 3 poderá ser resolvido, o BNDES avalia que, do ponto de vista regulatório, a usina não existe.

Ele explicou que, quando tiveram início as obras da usina de Angra 3, a Eletronuclear teve de pedir empréstimos à Caixa Econômica Federal e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O g1 questionou o Ministério de Minas e Energia (MME) sobre a avaliação do CNPE sobre a situação de Angra 3, quando será a próxima reunião do colegiado e quando será pautada a decisão sobre Angra 3. Mas não obteve resposta até a última atualização dessa reportagem.

O ministro Alexandre Silveira, do MME, sinalizou em outubro que deveria haver uma definição até o final de 2025.

Apesar de admitir a necessidade de suspender o pagamento de empréstimos, o diretor-presidente da estatal afirmou que não há "nenhuma comparação" com a situação dos Correios – que enfrenta forte crise financeira e pediu um empréstimos junto a bancos (com aval do Tesouro Nacional).

Independente do rombo causado pela paralisação das obras de Angra 3, os números da Eletronuclear também mostram dificuldades de caixa com as usinas já em operação, Angra 1 e 2.

Os custos de com pessoal, materiais, serviços e outros, ou seja, as despesas administrativas e operacionais da empresa, historicamente sempre estiveram acima do estipulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na composição das tarifas de Angra 1 e 2.

A empresa informou que vem implementando corte de despesas, ajustes em pessoal e terceirização a fim de reduzir gradualmente esse déficit.

➡️ Apesar de o dirigente da estatal negar a necessidade de um aporte de recursos por parte do Tesouro Nacional neste momento, essa possibilidade não foi totalmente afastada pelo governo federal.

➡️ O Relatório de Riscos Fiscais da União de 2025 do Tesouro Nacional, divulgado em novembro deste ano, aponta que não está descartada a possibilidade de que algumas empresas estatais não financeiras enfrentem dificuldades de caixa, citando a Eletronuclear entre elas.

Caporal afirmou que espera receber, ainda no primeiro trimestre de 2026, cerca de R$ 1 bilhão do Fundo de Descomissionamento, um instrumento financeiro criado para garantir recursos destinados à desativação segura das usinas nucleares ao final de sua vida útil.

Embora nenhuma usina nuclear esteja sendo desativada neste momento, ele informou que o Tribunal de Contas da União (TCU) já reconheceu o direito da Eletronuclear ao ressarcimento, mas que a Agência Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) vem resistindo a efetuar o pagamento.

Diante disso, o presidente da Eletronuclear informou que pretende ingressar, em janeiro, com um pedido de medida cautelar para viabilizar a liberação dos recursos.

Os recursos que compõem o Fundo são arrecadados por meio das tarifas de Angra 1 e Angra 2, embutidos na conta de luz dos consumidores na forma de encargos setoriais.

Caporal defende que a retirada de parte desses recursos não compromete a segurança nuclear nem provoca desequilíbrio financeiro, uma vez que o Fundo é superavitário.

Segundo ele, o custo estimado para desativar Angra 1 e Angra 2 é de aproximadamente R$ 7,5 bilhões e o fundo já acumula cerca de R$ 3,2 bilhões destinados a um processo que deverá ocorrer daqui a 40 ou 60 anos.

O acordo recentemente homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) entre a União e a Eletrobras (Centrais Elétricas Brasileiras S.A.) deve trazer algum alívio à empresa, mas não resolve sua situação fiscal. Isso porque o acordo prevê a emissão de R$ 2,4 bilhões em debêntures, que será feita de forma faseada. 

De segunda a sábado, as notícias que você não pode perder diretamente no seu e-mail.

Venezuela ordena prisão de todos os envolvidos em captura de Maduro

Como é prisão onde Maduro está detido em Nova York: 'Inferno na Terra'

TCU confirma autorização de inspeção no BC sobre liquidação do banco Master

'Se eu pudesse voltar no tempo, eu não tinha deixado ele', diz amiga

Tentativa de assalto a caminhão termina com 6 mortos no Paraná

Pai, mãe e filho de 8 anos: quem eram as três vítimas de acidente no RS

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade