Prefeito eleito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD) diz ser um homem de “centro-direita” e evita entrar em polêmicas, especialmente as ideológicas. Em entrevista ao Valor, ele afirma não guardar mágoas pelo fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não ter apoiado a sua candidatura, mesmo o vice da sua chapa sendo do PL.
Pimentel conquistou mais de 57% dos votos válidos e derrotou a candidata do PMB, Cristina Graeml. Estreante na política, ela surpreendeu ao chegar ao segundo turno e colou a própria imagem à de Bolsonaro, apresentando-se como a opção mais à direita.
“Eu sempre falo que sou centro-direita. Eu sou uma direita moderada. Eu me pauto em cima dos valores da família”, diz. Ele, no entanto, afirma que, no comando da cidade, vai ser o prefeito de todos os curitibanos.
“O que vale em uma discussão municipal é o dia a dia, é a gestão. A ideologia não coloca comida na mesa, não abre vaga na creche, não faz a educação em tempo integral funcionar, não coloca medicamento na unidade de saúde.”
Sobre o fato de Bolsonaro ter gravado um vídeo com Graeml no primeiro turno e precisar ser demovido da ideia de vir a Curitiba apoiá-la na reta final da campanha, Pimentel desconversa e diz que o ex-presidente deveria ficar satisfeito por ter dois candidatos que defenderam o nome dele em Curitiba durante a eleição.
“Acho que é uma decisão pessoal do ex-presidente, mas o PL, que é o partido dele, indicou o meu vice-prefeito, Paulo Martins, ex-deputado federal, que foi candidato ao Senado do PL.”
O prefeito eleito também afirma que as diferenças ideológicas não vão impedir que ele dialogue com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em busca de mais investimentos para a cidade. “Eu não tenho uma relação próxima com o PT do Paraná, nós sempre estivemos em lados diferentes, mas nós temos respeito, e eu não tenho dúvida, que para trazer recursos para o município, eles vão querer trabalhar comigo.”
Atual vice-prefeito da gestão de Rafael Greca (PSD), Pimentel diz que ainda não definiu quem serão seus secretários, mas aponta que a transição se dará de forma “natural”. Ele, no entanto, afirma que o ex-coordenador da Lava-Jato, Deltan Dallagnol (Novo), não deve fazer parte da sua equipe. “O Deltan foi um apoio importante na campanha. Ele trouxe o seu prestígio de combate à corrupção. E agora nós vamos sentar para discutir. Ele próprio não tem perspectiva disso, mas pode sugerir bons nomes.”
Pimentel também conta que um de seus planos é criar duas novas secretarias, da Mulher e dos Direitos Humanos, mas diz que a medida não foi pensada como um aceno ao eleitorado mais progressista, porque já havia decidido isso no primeiro semestre.
Filiado ao PSD, partido que mais elegeu prefeitos nesta eleição, Pimentel reconhece a importância que o apoio do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), teve na sua eleição e diz que o correligionário será “protagonista” do debate sobre 2026. “Ele quer estar na conversa sobre a discussão nacional no ano que vem. E eu tenho certeza que ele será um dos grandes protagonistas da pauta nacional, sendo candidato ou não [à Presidência].”
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