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Eleições 2026 podem marcar mudança na política econômica, mesmo com reeleição de Lula, diz sócio da SPX | Finanças

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 20/08/2025 às 14:56 · Atualizado há 3 horas
Eleições 2026 podem marcar mudança na política econômica, mesmo com reeleição de Lula, diz sócio da SPX | Finanças
Foto: Reprodução / Arquivo

A eleição em 2026 pode ser um marco da mudança da política econômica no Brasil e para a direção dos ativos, assim como foi o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff no biênio 2015/2016, afirmou Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital. Mesmo que não haja alternância de poder e o presidente Lula permaneça no Planato, ele acha quepode haver um maior compromisso com a sustentabilidade das contas públicas.

"Não sei se o presidente Lula reeleito mantém a direção atual, mas claramente o modelo escolhido até agora com arcabouço fiscal não foi capaz de pelo menos manter a qualidade que teve quando houve o lançamento do teto de gastos [durante o governo do ex-presidente Michel Temer]", comentou, ao participar de conferência anual do Santander, lembrando que houve vários furos na sequência.

Colocar uma nova âncora fiscal de sustentabilidade na trajetória da dívida/PIB vai ser a grande bússola para Brasil, é o que expressa as escolhas da sociedade e da política econômica. "Se não encaminhar uma solução para no mínimo estabilizá-la, o país vai enfrentar uma crise de confiança e de desvalorização dos ativos", disse Xavier. Em outros momentos em que passou por situações difíceis foram apresentadas soluções que de alguma forma conseguiram endereçar o problema fiscal em direção a uma maior sustentabilidade da dívida, ponderou. "Pode ser que estejamos diante de uma nova oportunidade de fazer o ajuste na sequência das eleições."

As mudanças não devem ocorrer já em 2026, em pleno ciclo eleitoral, "mas nos dois primeiros anos do novo governo, mesmo que seja Lula, pode ser que enderece a questão e consiga apontar para uma direção da estabilidade fiscal da dívida pública. A gente deveria olhar isso com lupa", disse Xavier. "Estou otimista com a possibilidade de alternância de poder ou com a mudança de política econômica."

Se houver uma percepção clara disso, dando coerência para a política monetária, o Banco Central brasileiro pode encontrar o seu espaço para reduzir a Selic no início de 2026, afirmou Mario Torós, ex-diretor de política monetária do BC e sócio-fundador e coexecutivo-chefe de investimentos (coCIO) da Ibiuna Investimentos. Depende, contudo, de como o o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) conseguirá encaminhar o seu próprio ritmo de cortes. "Com a questão de tarifas, o Fed se defrontou com um tema clássico já testado, o choque de oferta. O que o BC faz num primeiro momento? Nada, para e espera para ver o impacto."

Torós lembrou que o mercado embute nos preços dois cortes das taxas americanas e faltam três reuniões até o fim do ano. Se o Fed antecipar o movimento por um diagnóstico mais adverso para a economia dos EUA, o BC brasileiro poderia começar o seu ciclo antes, em dezembro. Ou talvez só em janeiro de 2026. Com o cenário eleitoral à frente, há interesse dentro do governo em baixar as taxas para que os efeitos concretos possam ser sentidos na economia seis meses à frente.

Rogério Xavier, da SPX — Foto: Silvia Zamboni/Valor

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