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Diplomatas articulam ressalva em declaração final do G20 em reação à oposição da Argentina | Brasil

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 15/11/2024 às 19:52 · Atualizado há 1 dia
Diplomatas articulam ressalva em declaração final do G20 em reação à oposição da Argentina | Brasil
Foto: Reprodução / Arquivo

Na reta final das negociações, os diplomatas brasileiros enfrentam impasses com a Argentina em relação às principais pautas do G20, como a taxação dos super-ricos, e com a referência aos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia. Caso os argentinos não recuem de suas posições, os negociadores articulam a inclusão de uma ressalva no documento, a fim de preservar o peso político da declaração final.

A percepção de diplomatas brasileiros, à frente das articulações da resolução da cúpula, é de que a oposição da Argentina, de fato, inviabiliza o consenso. Mas afirmam, em contraponto, que o país vizinho não tem estatura para comprometer politicamente o resultado desta cúpula do G20, que ocorre sob a presidência do Brasil. No fim, o cargo que é rotativo será transmitido à África do Sul.

“Querem fazer do [Javier] Milei a estrela da festa”, criticou um diplomata ao Valor, em alusão ao presidente da Argentina. Outra autoridade do Itamaraty ponderou que a Argentina “não está com essa bola toda”, lembrando que o país não tem a influência geopolítica de integrantes da União Europeia (UE), como França, Alemanha e Reino Unido, que estão alinhados com o Brasil. Acrescentou que a pauta prioritária da presidência brasileira do G20, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, é consensual e será lançada com êxito.

Em um gesto para se alinhar ao presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, a Argentina recuou de posições anteriores consensuais ao Brasil. A propósito, Milei encontrou-se com Trump nos Estados Unidos nessa quinta-feira (14). O mandatário argentino foi convidado para o jantar de gala organizado em Mar-a-Lago, na Flórida, para comemorar a vitória do republicano.

No fim de julho, havia endossado a bandeira do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para incluir a taxação dos super-ricos na declaração final da trilha de finanças do G20, em reunião do colegiado no Rio de Janeiro. Agora está fazendo oposição ao tema na instância final dos sherpas, os representantes de cada país participante do G20.

A Argentina tem se insurgido, igualmente, contra outros temas da cúpula, como meio ambiente e empoderamento das mulheres. Nessa quinta-feira (14), ao discursar na abertura do G20 Social, a primeira-dama do Brasil, Rosângela (Janja) Lula da Silva, criticou o país vizinho por ter se negado a endossar a resolução que fazia menção à defesa da “igualdade de gênero”. Em paralelo, em reação aos debates sobre mudanças climáticas, Milei retirou a delegação argentina da 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 29), que está sendo realizada no Azerbaijão.

Fontes do governo francês admitem, nos bastidores, que o presidente Emmanuel Macron atuará para tentar convencer Javier Milei a recuar de algumas divergências. Macron é aliado de primeira hora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e fará uma visita oficial à Argentina neste fim de semana, antes de desembarcar no Brasil na segunda-feira (18), para a reunião de cúpula do G20.

Se a Argentina mantiver a postura de divergência, uma alternativa será incluir uma ressalva sobre o país na resolução final, dizem fontes diplomáticas. Foi a saída no caso da declaração final sobre igualdade de gênero, a que Janja fez menção. O documento afirma que todos os países do G20, “com exceção da Argentina”, endossam os termos do comunicado temático.

O embaixador Maurício Lyrio, que é o "sherpa" brasileiro - responsável pelas negociações do Brasil na cúpula - disse ao Valor, em entrevista na semana passada, que uma das vantagens da presidência brasileira do G20 é a escolha de um tema prioritário que dificilmente suscita divergências. "A questão do combate à fome e a pobreza é menos contaminada por questões geopolíticas", observou. "Quem pode ser partidário numa hora em que você tem que enfrentar um mundo com 733 milhões de pessoas passando fome?", questionou.


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