O CEO do JPMorgan Chase & Co., Jamie Dimon, disse que acolheria com satisfação as mudanças propostas que flexibilizariam as exigências da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) para a divulgação de lucros trimestrais.
"O maior problema não era apenas a divulgação trimestral", disse Dimon na terça-feira em entrevista à Bloomberg TV. "Era a previsão, em que os CEOs se veem contra a parede. Eles precisam cumprir essas exigências — divulgação de lucros — e então começam a fazer coisas estúpidas para cumprir os lucros, e esse tipo de pressão pública."
O maior banco dos EUA provavelmente ainda atualizaria os investidores trimestralmente, mesmo que isso não fosse mais obrigatório, embora com "muito menos informações", disse Dimon.
A SEC prometeu no mês passado acelerar a proposta do presidente Donald Trump de encerrar a divulgação de lucros trimestrais para a maioria das empresas e dar a elas a opção de divulgar semestralmente. Os defensores da ideia dizem que o processo é custoso e demorado, e leva as empresas a se concentrarem em metas trimestrais em vez do crescimento a longo prazo. Por outro lado, os defensores da divulgação trimestral elogiaram a transparência como útil para os investidores.
Dimon chamou a exigência atual de "uma pequena parte de um problema muito maior", acrescentando que "regras infinitas" dificultam a abertura de capital de uma empresa.
O CEO de longa data descreveu, durante anos, regulamentações onerosas, litígios e outros fatores como obstáculos aos mercados de ações, chegando a dizer que fecharia o capital do J.P. Morgan se pudesse. Em uma carta aos acionistas no início deste ano, ele escreveu que "os mercados de ações têm diminuído drasticamente, o que não acredito ser algo positivo".
Na entrevista, Dimon afirmou que o J.P. Morgan Chase & Co. investe US$ 2 bilhões por ano no desenvolvimento de tecnologia de inteligência artificial e economiza aproximadamente o mesmo valor anualmente com o investimento.
"Sabemos que isso representa bilhões em economia de custos e acho que é apenas a ponta do iceberg", disse o CEO do banco na terça-feira em entrevista à Bloomberg TV.
Dimon tem elogiado consistentemente as oportunidades oferecidas pela IA, mesmo que ela elimine alguns empregos. Ele afirmou que seu banco já possui centenas de casos de uso para a tecnologia, que provavelmente crescerão, e destacou sua capacidade de ajudar humanos a curar o câncer e a reduzir a jornada de trabalho semanal.