Atual prefeito de Taboão da Serra, Daniel Bogalho (Republicanos), manifestou-se hoje sobre o resultado das investigações que apontaram que o atentado sofrido por José Aprigio (Podemos) nas eleições de 2024 teria sido forjado pelo próprio grupo político do ex-prefeito. Daniel, que derrotou Aprigio nas urnas, disse que foi injustamente acusado de ligação com o crime e também levantou dúvidas sobre o envolvimento de Aprigio no episódio.
"Fica difícil acreditar que o ex-prefeito não estava envolvido diante de todas essas evidências. Se não fossem as pessoas sérias à frente da investigação, talvez eu não estivesse aqui hoje como prefeito", afirmou Daniel, em entrevista coletiva concedida no início da noite de hoje.
Nesta terça-feira (17), a Polícia Civil de Taboão da Serra e o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagraram a Operação Fato Oculto, para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão. A investigação aponta a participação de secretários de Aprigio no planejamento da encenação. Segundo as autoridades, ainda não há provas de participação direta do ex-prefeito, mas “há indícios”. A defesa de Aprigio negou e disse que ele é “vítima” no caso. "José Aprígio é vítima, sofreu um tiro com armamento pesado em outubro de 2024 que, por sorte, não ceifou a sua vida", diz o comunicado assinado pelo advogado Allan Mohamed Melo Hassan
Daniel afirmou que as acusações feitas contra ele foram um crime contra sua honra e que buscará a penalização dos suspeitos. “Eu estava em uma reunião fora de São Paulo quando recebi uma ligação de um guarda, me acusando de envolvimento no caso. Me senti ofendido e insultado. Minha família também sofreu muito. Meus filhos pararam de frequentar a escola, e fui ameaçado a ponto de temer sair de casa”, afirmou.
Aprígio, que concorria à reeleição, foi baleado no ombro durante a campanha eleitoral. Ele chegou a ficar internado por oito dias e teve alta na véspera do segundo turno. Daniel venceu a eleição com 66,27% dos votos, contra 33,73% do adversário.
Sobre o envolvimento do ex-prefeito, Daniel citou como suspeitas a ausência da segurança habitual que acompanhava Aprigio no dia do crime e a distribuição de mais de 100 panfletos acusatórios no dia seguinte ao episódio.
O prefeito disse ainda que sua gestão não terá ligação com nenhuma pessoa associada ao grupo político de Aprigio.