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De resto de açougue a iguaria valorizada, pé de galinha virou 'negócio da China' para o Br

O pé de galinha, que antes era resto para açougues e frigoríficos, virou um negócio lucrativo para o Brasil. Isso aconteceu depois que a China autorizou o B...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 10/02/2026 às 12:15 · Atualizado há 5 horas
De resto de açougue a iguaria valorizada, pé de galinha virou 'negócio da China' para o Br
Foto: Reprodução / Arquivo

O pé de galinha, que antes era resto para açougues e frigoríficos, virou um negócio lucrativo para o Brasil.

Isso aconteceu depois que a China autorizou o Brasil a exportar carne de frango para lá, em 2009.

Só em 2025, a indústria nacional faturou US$ 221 milhões com a venda do pé de galinha para o mercado chinês, principal destino do miúdo brasileiro.

A China usa o pé de frango como um snack que é encontrado até em máquinas automáticas em estações de metrô e shopping centers.

A África do Sul, segundo maior comprador do Brasil, usa o pé no preparo do walkie-talkie, prato feito com cabeça e pé de frango.

De resto de açougue a iguaria , pé de galinha virou 'negócio da China' para o Brasil

A lembrança é da chef Jiang Pu, hoje moradora da zona sul da cidade de São Paulo, onde já chegou a pagar R$ 14 pelo quilo do pé de galinha, muito tradicional e valorizado na cultura alimentar de sua família.

No atacado, o produto tem saído mais em conta. Em 2026, o preço médio praticado no estado chegou a R$ 5,75. Ainda assim, o valor é 41,3% mais alto que a média registrada em 2020, início da série histórica levantada pelo analista Fernando Iglesias, do Safras & Mercado.

A valorização reflete um dos efeitos que a abertura comercial da China teve sobre a indústria brasileira, há mais de duas décadas.

Em 2009, o país asiático autorizou o Brasil a exportar carne de frango e, desde então, o que antes era resto para açougues e frigoríficos virou um negócio lucrativo, conta Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Só no ano passado, a indústria nacional faturou US$ 221 milhões com a venda do pé de galinha para a China, principal comprador do miúdo, segundo o Ministério da Agricultura. O valor representou um aumento de 9,5% em relação às vendas de 2024.

A África do Sul, segunda maior compradora do produto brasileiro, paga em média US$ 2 mil pela tonelada.

Apesar de importar bem menos que a China, o país mais que quadriplicou as compras em 2025, na comparação com 2024, atingindo US$ 49 milhões.

Mas a valorização do pé de galinha não tem a ver só com a exportação.

O aumento de preço também é explicado pelo crescimento da indústria pet no Brasil, que usa o pé de frango para produzir farinhas de ração animal, destaca Santin.

O pé de galinha que não é exportado, é destinado principalmente à indústria pet

— diz.

Pés de frango embalados a vácuo e prontos para consumo. Haikou, Hainan, China. — Foto: Anna Frodesiak

No país asiático, o pé de galinha é bastante apreciado na forma de petisco, como um "snack" para enganar a fome e "passar o tempo", cumprindo um papel semelhante ao do amendoim para um brasileiro.

Você come o pé de galinha chupando, roendo ele, então demora um pouquinho. É para quando está com vontade de mastigar alguma coisa

— conta Jiang.

Em reuniões familiares, Jiang prefere usar o pé de galinha como entrada, geralmente em saladas.

Para prepará-lo, ela retira todos os ossos e mantém apenas a pele. “A textura fica crocante, lembra um pouco pele de porco”, compara.

Além do consumo direto, o pé de galinha também é usado na culinária chinesa para engrossar caldos. Rico em colágeno, ele ajuda a dar textura mais densa e gelatinosa às sopas, que depois podem servir de base para outros preparos.

Além da China, o pé de galinha também é consumido em outras regiões da Ásia, como Hong Kong, Vietnã, Coreia do Sul e Filipinas — destinos para os quais o Brasil exporta volumes bem menores em comparação ao mercado chinês.

Imagem do prato sul-africano Maotwana. — Foto: Picknpay/Reprodução/Instagram

Na África, o Brasil também exporta pé de galinha para Libéria, Serra Leoa, Moçambique e Guiné, mas o principal mercado é mesmo a África do Sul.

No país, ele também pode ser encontrado pelos nomes "runaway" ou "Maotwana".

Diferente da China, onde o pé é apreciado na textura crocante, na África do Sul ele é bem cozidinho e ensopado, lembra o ensopado mineiro

— conta Mariana Bahia, representante da Câmara de Comércio Brasil - África do Sul.

Os walkie-talkies, como muitos pratos populares da culinária da África do Sul, estão ligados ao período colonial. O país foi invadido pelos holandeses em 1652 e, mais tarde, no século 19, colonizado pelos britânicos.

Os pratos são bem caprichados e temperados, com muitas especiarias como curry, páprica moída, cúrcuma e gengibre

— acrescenta.

No país, os pés de galinhas também são servidos com o "pap", uma polenta de milho, que funciona como base de carboidrato para acompanhar carnes e miúdos.

Ela destaca que, em todo o continente africano, é comum que as pessoas consumam todas as partes de um animal devido às "dificuldades históricas de acesso a alimentos."

Essa prática também está na base da cultura chinesa, diz Jiang.

De resto de açougue a iguaria valorizada, pé de galinha virou 'negócio da China' para o Brasil. — Foto: Hayley Ryczek

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