Responsável por 2% das emissões de poluentes no mundo, o setor aéreo tem como meta se tornar carbono neutro até 2050. Para alcançar o objetivo, a principal aposta é o SAF, sigla para “sustainable aviation fuel”, ou combustível sustentável de aviação, energético alternativo ao querosene de aviação, produzido a partir de fontes renováveis, como biomassa, óleos vegetais e gordura animal. O combustível renovável, que hoje responde por menos de 5% da demanda mundial, pode reduzir em até 90% as emissões.
O desafio será ampliar a produção de SAF no mundo de forma que esse acréscimo não se converta em alta nas passagens aéreas. Segundo estudo da Conferência de Aviação Civil Europeia, o custo é ainda a principal barreira de adoção do energético. A depender do combustível a ser usado como base, pode custar de duas a seis vezes mais que o querosene de aviação.
Com uma matriz energética renovável, com destaque para o etanol, o Brasil pode se tornar um líder mundial desse segmento diante de um contexto em que muitos países já começam a adotar mandatos de compra de SAF, como forma de reduzir as emissões. Estudo da McKinsey aponta que, em 2024, a capacidade de produção mundial não excederá 1,5 milhões de toneladas métricas, apenas 0,5% das necessidades totais de combustível de aviação, de acordo com estimativas da Associação Internacional de Transporte Aéreo. A expectativa é de que a demanda possa superar 16 milhões de milhões de toneladas métricas em 2030.
No Brasil, começam a sair os primeiros projetos na área. Recentemente, foi sancionada a lei do combustível do futuro, que instituiu o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação. A partir de 2027, os operadores aéreos serão obrigados a reduzir as emissões de gases do efeito estufa nos voos domésticos por meio do uso do combustível sustentável de aviação. As metas começam com 1% de redução e crescem gradativamente até atingir 10% em 2037.
A Petrobras é uma das empresas que olham as oportunidades. No plano de negócios 2025-2029, a estatal prevê investir US$ 19,6 bilhões no segmento de refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes, um aumento de 17% em relação ao plano anterior. Um foco é o biorrefino, com a intenção de ofertar produtos de baixo carbono. Nesse contexto, a empresa tem projetos envolvendo biocombustíveis produzidos por diferentes rotas tecnológicas, com destaque para plantas dedicadas de bioquerosene de aviação, além de estudos de rota para produção de SAF através do processamento de etanol.
SAF, que responde por menos de 5% da demanda mundial, pode reduzir em até 90% as emissões do setor de aviação
A Refinaria Riograndense, controlada por Petrobras, Braskem e Grupo Ultra, assinou com a dinamarquesa Topsoe um contrato de fornecimento da tecnologia para a construção de uma biorrefinaria. O projeto gira em torno de US$ 1 bilhão e um dos produtos será SAF.
Refinaria privada, com capital nas mãos do fundo Mubadala Capital, de Abu Dhabi, a Acelen prevê investir mais de R$ 12 bilhões nos próximos dez anos na produção de combustíveis renováveis. A principal aposta será em diesel renovável e querosene de aviação sustentável, produzidos por meio do hidrotratamento de óleos vegetais e gordura animal.
A previsão é que a empresa inicie a produção no primeiro trimestre de 2026. Na primeira fase do projeto, será usado o óleo de soja e matérias-primas complementares, que possuem maior volume disponível e competitividade no país. Na segunda etapa, será usado óleo de macaúba. O projeto prevê o plantio em área de 180 mil hectares, priorizando terras degradadas. A capacidade de produção será de 20 mil barris/dia, cerca de 1 bilhão de litros ao ano. A produção do diesel verde e combustível de aviação sustentável será feita visando o mercado externo.
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