As empresas de private equity continuam encontrando maneiras de colocar dinheiro nas mãos dos investidores, enquanto a escassez de negócios se estende para o terceiro ano.
Estas empresas já obtiveram empréstimos ao usar as firmas de seu portfólio como garantia. Elas transferiram ativos que não puderam ou não quiseram vender para os chamados veículos de continuidade, uma técnica de realocação de ativos que permite manter os investimentos por mais tempo. As empresas até transferiram alguns desses ativos para outro veículo inovador que ficou conhecido como CV-squared.
Agora há mais. Empresas como a Bain Capital e a Leonard Green & Partners começaram a usar compromissos com fundos de continuidade como garantia, e oferecem outra forma de tomar empréstimos. Enquanto isso, a KKR e o Goldman Sachs propõem financiamentos complexos que lhes permitiriam transferir ativos de private equity para fundos especiais, sem cristalizar as perdas que normalmente advêm da venda desses investimentos com desconto. Todas as empresas não se manifestaram sobre o assunto.
Essas táticas ressaltam o uso crescente de engenharia financeira por um setor que luta para retornar dinheiro aos investidores. As distribuições como percentual do valor líquido dos ativos caíram para 11% no ano passado, contra uma média de 29% na década anterior, de acordo com dados de um relatório da Bain & Co.
Fazer empréstimos contra compromissos de novos investidores em fundos de continuidade permite que empresas de private equity gerem retornos mais favoráveis para potenciais compradores. O financiamento ajudaria os investidores a reforçar a liquidez sem se contentar com grandes descontos no mercado secundário, o que atrai mais vendedores iniciantes em busca de dinheiro, disseram fontes envolvidas nas transações.
“Todos os lados da indústria buscam liquidez de maneiras diferentes”, disse Andrea Auerbach, chefe global de investimentos privados na Cambridge Associates. “A caça está aberta.”
Mercados de negócios aquecidos ajudam empresas de private equity a vender companhias do portfólio e retornar lucros aos investidores, uma dinâmica que estagnou depois que o Federal Reserve elevou rapidamente as taxas de juros de mínimas históricas. Com poucas opções disponíveis para vender as companhias e repassar o dinheiro aos investidores, as gestoras se afastam cada vez mais do modelo de comprar-melhorar-vender e recorrem, cada vez mais, a financiamentos complexos. Algumas dessas manobras podem colocar o capital dos investidores em risco.
Embora os veículos de continuidade já existam há anos, eles crescem em popularidade e geram novas variantes. A novidade mais recente? Aumentar a alavancagem por meio de empréstimos contra os compromissos assumidos com os fundos. Os bancos que concedem estes empréstimos geralmente estão dispostos a emprestar de 20% a 25% do valor a um custo de cerca de três pontos percentuais acima dos benchmarks, disseram fontes com conhecimento do assunto.
Esses empréstimos permitem que as empresas de private equity superem as divergências de preços entre compradores e vendedores ao atrasar a solicitação aos investidores de um fundo de continuidade para entregar o dinheiro que prometeram, ou esperar mais tempo para fechar o negócio, disseram as fontes. Isso pode aumentar a taxa interna de retorno em mais de 2,5 pontos percentuais.
A dívida, conhecida como linha de subscrição, linha de crédito ou empréstimo sobre o valor líquido de ativos, é contraída pelo fundo de investimento, geralmente com o conhecimento e o apoio dos compradores, segundo as fontes.
As gestoras começaram a tomar empréstimos com base em compromissos com fundos de continuidade de múltiplos ativos — veículos usados para transferir vários investimentos existentes — em 2018, quando as taxas de juros estavam baixas, disse Raj Senapati, sócio da HarbourVest.
As gestoras usam esse financiamento para serem mais competitivas, oferecer lances mais altos ou “para viabilizar um processo e atingir o retorno desejado”, entre outras razões, disse Max Forton, chefe de financiamento de fundos da Nomura Holdings. “A maior parte tem duração relativamente curta.”
Contudo, usar alavancagem em fundos de continuidade apresenta riscos diferentes, pois os investimentos estão concentrados em um número relativamente pequeno de empresas do portfólio. Isso deixa pouca margem de segurança caso algo dê errado.
Em alguns casos, taxas de juros mais altas elevaram o custo da dívida acima da “hurdle rate”, ou taxa mínima de retorno, o que levou a negociações mais acirradas entre compradores e vendedores. Empresas de private equity tornaram-se mais dispostas a oferecer “hurdle rates” altas para conseguir aprovação de empréstimos.
“Você tem que pensar em adicionar alavancagem a um portfólio de negócios já alavancados”, disse Jeff Miller, chefe de private equity da Pantheon Ventures, e os investidores de fundos “podem ter preocupações em relação a isso”.