A ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, defendeu que a COP30, marcada para próximos meses no Brasil, seja um evento em que se estabeleça a implementação de decisões já delineadas em eventos em prol do meio ambiente, anteriores. “Essa COP não pode ser somente para debater e discutir tem que ser a COP da implementação”, afirmou a destacar que o mundo, hoje, vive em situação de emergência climática. “Não temos outro caminho a não ser implementar decisões que já tomamos”, afirmou.
A Conferência das Partes (COP), também conhecida como Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, está marcada para ocorrer em novembro, na cidade de Belém (PA).
Ela defendeu neste sábado fortemente meta estabelecida no Acordo de Paris para limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais a fim de mitigar os impactos das mudanças climáticas. Superar esse limite pode levar a consequências mais severas e irreversíveis, como eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos.
“Não podemos deixar ultrapassar [meta] de 1,5°C. Nenhum ponto a mais”, disse.
Ela admitiu que contexto geopolítico, atualmente, é muito difícil. Mas pontuou que líderes e tomadores de decisão, como ela mesma, como ministra, precisam continuar a ouvir os cientistas; e trabalhar juntos para que essa meta limite de aquecimento global seja cumprida.
“Eu acho que agora a sociedade tem que dizer para todos nós que somos tomadores de decisão, governos, empresas e todos que nós não temos como não implementar os acordos já firmados”, afirmou. “E isso não é uma decisão que vai ser tomada agora, ela já foi tomada em Dubai, no coração da exploração de petróleo foi tomada a decisão de não usar o sal em meio de temperatura da terra, de viabilizar meios de fermentação, de viabilizar os recursos de perdas e danos de triplicar renovável, de duplicar a eficiência energética e fazer a transição para o fim de combustível fóssil e de desmatamento”, lembrou. Ela refere-se à 28ª Conferência das Partes (COP28) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) ocorreu em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2023.
“As decisões estratégicas para resolver foram tomadas, mas elas precisam ser implementadas”, reiterou. “Nós não temos como fugir disso. E quando as pessoas me dizem, mas como vamos conseguir isso? A pergunta não é como vamos conseguir, a pergunta é o que vai acontecer se não conseguirmos, é aí que nós temos que focar”, assegurou.
A ministra comentou ainda sobre estudo de Iago Montalvão, autor do relatório e coordenador-executivo do Transforma. No levantamento, segundo ela, o pesquisador apontou que os países do Sul Global precisam apresentar uma nova meta de financiamento climático no valor de US$ 1,3 trilhão. Em 2024, durante a COP29, que aconteceu no Azerbaijão, a meta estabelecida ficou em US$ 300 bilhões.
Ela participou este sábado (16) do 60º treinamento para novas lideranças climáticas no Rio de Janeiro, evento promovido pelo ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, fundador e chairman do Climate Reality Project, organização sem fins lucrativos de ação climática, fundada por Gore em 2006. O treinamento é terceira parada do “Reality Tour”, série global de eventos voltada à mobilização política, ao engajamento público e fortalecimento da pressão por ações climáticas contundentes rumo à COP30.