Publicidade
Capa / Econômia

Controle de minerais críticos pela China amplia preocupação global | Mundo

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 03/06/2025 às 20:00 · Atualizado há 10 horas
Controle de minerais críticos pela China amplia preocupação global | Mundo
Foto: Reprodução / Arquivo

A preocupação com o domínio da China sobre minerais críticos aumentou ontem, quando montadoras globais se juntaram às americanas para alertar que as restrições chinesas às exportações de ligas, misturas e imãs de terras raras poderão causar atrasos e paralisações na produção, caso não haja solução rápida para o impasse.

As montadoras alemãs são as mais recentes a alertar que as restrições às exportações impostas pela China ameaçam parar a produção e abalar suas economias locais, seguindo uma queixa similar de uma fabricante indiana de veículos elétricos na semana passada.

A decisão tomada pela China em abril, de suspender as exportações de uma ampla variedade de minerais críticos e imãs, perturbou as cadeias de abastecimento de montadoras, empresas aeroespaciais, fabricantes de semicondutores e empresas que atuam sob contrato para o setor militar em todas as partes do mundo.

A medida ressalta o domínio da China sobre a indústria de minerais críticos e é vista como forma de pressão na guerra comercial que o país vem travando com o presidente dos EUA, Donald Trump.

Trump vem tentando redefinir as relações comerciais com seu principal rival econômico por meio da imposição de tarifas elevadas sobre bilhões de dólares em importações, na esperança de reduzir o grande déficit comercial dos EUA e repatriar parte da indústria manufatureira perdida.

Trump impôs tarifas de até 145% à China, apenas para reduzi-las depois que os mercados de ações, títulos e câmbio se revoltaram contra a natureza abrangente de suas taxas. A China reagiu com suas próprias tarifas e se aproveita do domínio que tem sobre cadeias de abastecimento importantes para persuadir Trump a recuar.

Há uma expectativa de que Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, conversem esta semana, segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse a jornalistas nesta terça-feira, e a proibição às exportações deverá ser uma prioridade na agenda.

“Garanto a vocês que o governo está monitorando ativamente o cumprimento do acordo comercial de Genebra pela China”, disse ela. “Nossos representantes continuam dialogando com seus colegas chineses.”

Trump já havia sinalizado que a lentidão da China em flexibilizar a proibição às exportações de minerais críticos representa uma violação do acordo de Genebra.

As remessas de imãs, essenciais na fabricação de produtos que vão de automóveis e drones a robôs e mísseis, foram interrompidas em diversos portos chineses, enquanto o governo elabora um novo sistema regulatório. Uma vez implementado, o novo sistema poderá bloquear permanentemente o fornecimento a determinadas empresas, incluindo as que operam sob contrato para as Forças Armadas dos EUA.

A suspensão provocou ansiedade em diretorias corporativas e governos — de Tóquio a Washington —, enquanto autoridades correm para identificar alternativas limitadas, diante do temor de que a produção de novos automóveis e outros itens possa ser paralisada até o fim do terceiro trimestre.

“Se a situação não mudar rapidamente, atrasos na produção e até mesmo paralisações não poderão mais ser descartados”, disse ontem Hildegard Mueller, presidente da associação da indústria automotiva da Alemanha.

Frank Fannon, um consultor da indústria mineradora e ex-secretário-assistente de Estado para Recursos Energéticos no primeiro mandato de Trump, disse que as perturbações globais não surpreendem quem está atento.

“Acho que ninguém deveria se surpreender com a forma como isso está acontecendo. Temos um desafio de produção (nos EUA) e precisamos mobilizar toda a estrutura do governo para garantir o acesso aos recursos e ampliar nossa capacidade interna o mais rapidamente possível. O prazo para isso era ontem”, disse Fannon.

Diplomatas, montadoras e outros executivos da Índia, Japão e Europa estão buscando com urgência reuniões com autoridades em Pequim para pressionar por uma liberação mais rápida das exportações de imãs de terras raras, disseram fontes à Reuters, diante da ameaça de paralisação das cadeias globais de abastecimento.

Uma delegação empresarial do Japão estará em Pequim no começo de junho para se reunir com o Ministério do Comércio para discutir as restrições, e diplomatas europeus de países com grandes setores automotivos também vêm tentando reuniões “emergenciais” com autoridades chinesas nas últimas semanas.

A Índia, onde a Bajaj Auto alertou que novos atrasos no fornecimento de imãs de terras raras da China poderão “impactar gravemente” a produção de veículos elétricos, está organizando uma viagem para executivos do setor automotivo nas próximas semanas.

Em maio, o presidente da associação comercial que representa a General Motors (GM), Toyota, Volkswagen (VW), Hyundai e outras grandes montadoras levantou preocupações semelhantes em uma carta ao governo Trump.

“Sem um acesso confiável a esses elementos e imãs, os fornecedores automotivos não conseguirão produzir componentes críticos, como transmissões automáticas, alternadores, diversos motores, sensores, cintos de segurança, alto-falantes, luzes, motores, direção elétrica e câmeras”, disse a Alliance for Automotive Innovation na carta ao governo.

China — Foto: Pixabay

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade