O consórcio da K-Infra e da Galápagos foi inabilitado no leilão da concessão rodoviária Rota da Celulose, realizado pelo governo do Mato Grosso do Sul em maio deste ano. A comissão de licitação justificou a decisão devido a “vícios identificados na documentação apresentada”.
Com isso, o segundo colocado na disputa, o consórcio formado pela XP e por construtoras, foi convocado a apresentar sua documentação.
Em julho, o consórcio da XP havia apresentado questionamentos à habilitação do primeiro colocado. O grupo é assessorado pelo Giamundo Neto Advogados.
No recurso, protocolado em junho, a empresa questionou os atestados técnicos do consórcio vencedor e destacou descumprimentos contratuais na concessão da K-Infra na Rodovia do Aço, ocorridos entre 2014 e 2018.
Juntamente com os questionamentos da segunda colocada, a K-Infra sofreu um forte revés ao ter declarada a caducidade da concessionária Rodovia do Aço pelo governo federal.
No dia do leilão da Rota da Celulose, os governos já haviam sido questionados sobre a vitória de um consórcio formado por uma empresa que enfrentava um processo de caducidade em outra operação — na data da concorrência, a caducidade ainda não havia sido formalizada, mas apenas devido a uma liminar judicial obtida pelo grupo. Na ocasião, o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL) afirmou que o líder do consórcio era a Galápagos, e não a K-Infra e que as regras do edital não impediam a participação da companhia.
A concessão da Rota da Celulose inclui um total de 870 quilômetros, entre estradas estaduais e federais, e prevê R$ 6,9 bilhões de investimentos.
Na disputa, o consórcio da K-Infra e da Galápagos venceu com uma proposta de 9% de desconto sobre a tarifa máxima de pedágio, em uma margem apertada em relação à segunda colocada, o grupo da XP, que ofertou 8% de desconto. Além deles, participaram da licitação o BTG, que deu lance de 4% de desconto; e a Rotas do Brasil (Way e Kinea), que propôs 5% de deságio.
A reportagem procurou a K-Infra e a Galápagos na noite desta terça (5), mas ainda não obteve retorno sobre a decisão.