Após duas quedas consecutivas, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) da Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu 0,4 ponto em maio e atingiu 94,8 pontos, anunciou nesta segunda-feira a instituição. Foi a elevação mais forte desde outubro de 2024 (0,9 ponto). A resiliência da economia brasileira pode ter contribuído para o humor do empresariado em maio, de acordo com o pesquisador da fundação, Aloisio Campelo Jr. “Parece que houve uma ‘parada’ na tendência de queda”, afirmou.
O técnico comentou que houve saldo positivo tanto nas respostas sobre o presente quanto nas relacionadas ao futuro.
Isso é perceptível na evolução dos dois tópicos usados para cálculo do indicador. Em maio, o Índice de Situação Atual (ISA) subiu 0,2 ponto, para 96,5 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) avançou 0,5 ponto, para 93 pontos.
Sinais favoráveis na economia até maio podem ter contribuído para a melhora tanto do ISA quanto do IE, disse Campelo Jr. No entendimento dele, grande parte do empresariado percebeu que a economia não vai desacelerar tanto quanto o projetado pelo mercado no início do ano.
Três de quatro setores usados para cálculo do ICE mostraram alta na confiança em maio, acrescentou. É o caso dos aumentos, nos indicadores de confiança de serviços (1,5 ponto), de comércio (1,2 ponto) e de indústria (0,9 ponto). O setor da construção foi o único registrar queda (-0,3 ponto).
Outro ponto levantado por ele é que, em maio no Icec, os ímpetos de contratações aumentaram nesses quatro setores. Isso evidencia confiança em quadro favorável de negócios em horizonte de longo prazo, comentou.
O especialista não acredita, no entanto, que ocorreu “uma onda de otimismo” na mente do empresariado em maio e, sim, uma “calibragem” no pessimismo. O técnico pontuou que, mesmo que não tenha ocorrido um baque forte na economia até maio, há sinais de uma economia menos pujante ante o observado em 2024. Mas o ritmo de desaceleração está sendo mais lento do que projetado no começo de 2025, reiterou.
Um aspecto lembrado pelo economista é o fato de que o ciclo de aperto monetário, iniciado no segundo semestre do ano passado, continuou, até maio. No mês passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) subiu a taxa básica de juros (selic), que norteia juros de mercado, para 14,75% ao ano, alta de 0,5 ponto percentual. Com juros mais altos, ponderou, o consumo interno não tem como não ser afetado nos próximos meses - com consequências para a economia real, comentou.
“Creio que a expectativa de um segundo semestre com ritmo de atividade ‘morno’, de certa forma persiste”, disse.
No entanto, acrescentou ele, neste atual cenário em que a economia desacelera, mas que não se sabe exatamente em que velocidade, é mais difícil projetar, de forma certeira, qual será tendência futura do ICE. Isso porque, no momento, o empresário reflete qual será a cadência na economia, bem como impacto da atividade em seus negócios. “Mas dificilmente teremos movimento de alta muito forte [no ICE] nos próximos meses”, disse. Para ele, seriam mais prováveis taxas ou estáveis ou de queda nos próximos resultados do indicador.
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