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“Meu antigo gerente se aposentou e um dos meus colegas de equipe foi promovido a chefe do time. Tínhamos uma boa relação até então, porém, depois que assumiu um novo cargo, ele se transformou completamente. Está muito difícil trabalhar com ele, faz demandas absurdas, querendo provar o tempo todo que é ele quem manda, além de ter se tornado alguém muito arrogante. Estou considerando seriamente começar a procurar outro emprego, mas não era o que eu queria. Como lidar com um chefe que não suporto?” Engenheira civil, 32 anos
Parabéns por considerar uma mudança de trabalho! Às vezes temos que nos render ao: “os incomodados que se mudem”. Isso é mais do que uma decisão assertiva de saída; é uma afronta direta à tendência desgastante do “quiet quitting”, que só corrói sua saúde mental e os laços que você construiu na empresa.
No entanto, antes de tomar essa decisão, que tal um desafio de empatia?
Vamos inverter o jogo e colocar você nos sapatos do seu gestor. Imagine-se na pele de alguém que, pela primeira vez, assume uma posição de liderança. A pressão para mostrar resultados é imensa, e o desejo de provar valor pode criar um distanciamento natural dos antigos colegas. Claro, isso pode parecer arrogância ou até um gesto de superioridade, mas muitas vezes é apenas uma estratégia de sobrevivência.
A nova realidade traz responsabilidades e segredos que exigem limites antes inexistentes. Além disso, há ainda a descoberta do seu próprio estilo de liderança, uma habilidade que requer tempo e dedicação.
Assim como qualquer transformação, esse processo não é indolor. Os colegas antigos podem se ressentir, e o que antes era camaradagem pode virar um campo minado de passividade agressiva. A confiança e a colaboração desaparecem, e o ambiente se torna tóxico. Então, como sair desse labirinto?
Primeiro, lembre-se: se ele foi escolhido, é porque apresentou sinais e potencial para ocupar essa posição. Dê tempo para ele se adaptar. Segundo, por que não abrir um canal de diálogo? Mas atenção: essa conversa precisa vir de um lugar de humildade, sem acusações ou ataques. É uma oportunidade para (re)descobrir a pessoa na posição de liderança e entender suas necessidades e sua visão para o time e a empresa. Isso não significa que você deva ser passiva, mas entender que a única mudança individual é a única na qual temos certeza de que ela é possível. E, se no fim das contas o cenário continuar insustentável, não hesite em explorar novas opções, porque, provavelmente, para os próximos meses, ele continuará mandando mesmo.
Mariana Clark é psicóloga, especialista em saúde mental, perdas e luto no contexto organizacional e escolar.
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Esta coluna se propõe a responder questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não a do Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.