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Como lidar com o medo de ser demitido? | Carreira no Divã

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 04/06/2025 às 06:00 · Atualizado há 10 horas
Como lidar com o medo de ser demitido? | Carreira no Divã
Foto: Reprodução / Arquivo

>> Envie sua pergunta, acompanhada de seu cargo e sua idade, para: carreiranodiva@valor.com.br

"Trabalho há 8 anos em uma empresa e, nos últimos tempos, tenho sentido um medo muito grande de ser demitido. Já perdi algumas noites de sono pensando nisso e costumo ficar preocupado quando percebo alguma reação diferente do meu gestor, imaginando que ele possa estar descontente com o meu desempenho. Acredito que isso começou a ficar mais forte depois que me casei e comprei um apartamento financiado. Até que ponto é normal sentir esse receio?" Analista de compras, 31 anos

Essa crise que te atravessa é desconfortável, sem dúvida. E o peso do financiamento que você carrega não ajuda. Mas talvez ela não seja só uma crise – pode ser um chamado.

Você foi mordido por um dos bugs mais comuns do nosso tempo: a ansiedade. É ela quem transforma o mundo em um campo minado. Faz você enxergar perigo em tudo, acumular preocupações, perder o sono e viver em estado de alerta constante.

E sim, ela adoece. Se não é levada a sério, vira estatística - daquelas que fazem qualquer CEO suar frio. Só nos primeiros quatro meses de 2025, os processos na Justiça do Trabalho por burnout cresceram quase 15%, segundo levantamento de um escritório especializado.

Estamos vivendo tempos difíceis de muitas incertezas, mudanças constantes, novas demandas sociais, tecnológicas e cognitivas. Soma-se a isso relatos de uma sociedade com baixo repertório e aparato psíquico para dar conta.

Colunista escreve que a criação de uma rede de relacionamentos pode oferecer benefícios importantes, como troca de experiências e de melhores práticas, possibilidade de outros saberes e o fortalecimento de novos vínculos — Foto: Freepik

Ou seja, se temos demandas maiores do que a nossa capacidade, a chance de desenvolvermos ansiedade é mais alta. Mas aqui vai um dado mais importante que esse: a ansiedade não é vilã por definição. Ela pode ser gatilho para o colapso e para a impotência, mas também pode ser combustível para a transformação. Depende do que você escolhe fazer com ela.

Já pensou em fazer uma retrospectiva de quando você foi contratado e quais acordos você firmou consigo e com a sua empresa atual? Esse pode ser um bom exercício sobre o seu processo de autodesenvolvimento, motivação e engajamento ao longo dos últimos 8 anos. O quanto você tem se dedicado a ele? Dentro do que for possível para você, já pensou em ampliar espaços de networking?

A criação de uma rede de relacionamentos pode oferecer benefícios importantes, como troca de experiências e de melhores práticas, possibilidade de outros saberes e o fortalecimento de novos vínculos. Essa pode ser uma boa alternativa para manter a chama acesa da sua relação com a sua carreira e da sua relação com o mercado, diminuindo consideravelmente a sua ansiedade.

O que você sabe, o que precisa saber, que repertório falta, que habilidades precisa desenvolver, tudo isso entra nesse pacote. O que não quer dizer só olhar para onde você pode crescer dentro da sua empresa atual. Significa se apropriar e entender qual é o seu valor no presente e quais as possibilidades para o futuro.

Você vai esperar o seu chefe dizer que está insatisfeito com o seu desempenho ou vai mostrar para ele por que essa empresa não pode te perder?

Mariana Clark é psicóloga, especialista em saúde mental, perdas e luto no contexto organizacional e escolar.

>> Envie sua pergunta, acompanhada de seu cargo e sua idade, para: carreiranodiva@valor.com.br

Esta coluna se propõe a responder questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não a do Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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