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Como conviver com um ex-amigo no trabalho? | Carreira no Divã

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 20/08/2025 às 06:00 · Atualizado há 4 horas
Como conviver com um ex-amigo no trabalho? | Carreira no Divã
Foto: Reprodução / Arquivo

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"Tive uma amizade muito próxima com um colega de trabalho, que acabou de forma conflituosa. Desde então, ele passou a se aproximar bastante de outras pessoas da equipe e formou outro grupo. Isso tem me deixado desconfortável, especialmente quando preciso interagir com essas pessoas em reuniões e projetos. Não quero pedir transferência ou deixar a empresa, mas preciso encontrar uma maneira de preservar minha tranquilidade e manter o profissionalismo. Como posso conduzir isso?" Analista de marketing, 28 anos

Conflitos em amizades de trabalho são um daqueles temas pouco falados, mas muito vividos. O ambiente profissional, por sua própria natureza, favorece a criação de vínculos intensos: passamos muitas horas juntos, dividimos pressões e vitórias, e é natural que laços de amizade se formem. Quando uma dessas relações se rompe, especialmente de forma conflituosa, o impacto vai além do pessoal — ele reverbera no dia a dia, nas reuniões e até na forma como nos percebemos no grupo.

O que você descreve traz duas camadas de desafio. A primeira é a dor da ruptura de uma amizade próxima, algo que já seria difícil em qualquer contexto. A segunda é o desconforto de ver essa pessoa se reaproximar de colegas em comum, formando um novo grupo do qual você não faz parte. Essa combinação pode gerar sentimentos de exclusão, insegurança e até a impressão de que seu espaço no time ficou reduzido.

É importante reconhecer a legitimidade desses sentimentos. Fingir que não há incômodo só aumenta a pressão interna. Ao mesmo tempo, é essencial entender que, no trabalho, nossa responsabilidade principal não é a manutenção das amizades, mas a entrega profissional. Isso não significa ser frio ou indiferente, mas sim realinhar expectativas: a amizade pode ter terminado, mas a colaboração precisa continuar.

Alguns caminhos práticos podem ajudar:

  1. Diferencie os territórios: o espaço pessoal (amizade, convivência social) e o espaço profissional (reuniões, projetos, entregas) são distintos. Seu ex-colega pode não estar mais disponível no primeiro, mas permanece no segundo. Essa clareza evita que o desconforto pessoal contamine a performance;
  2. Redefina seu foco: em interações de trabalho, mantenha a atenção no objetivo comum, e não nas pessoas em si. Isso não elimina o incômodo, mas reduz a energia investida nele;
  3. Invista em novas conexões: diversifique suas relações dentro da empresa. Ao ampliar sua rede, você deixa de sentir que um grupo concentra todo o capital social do ambiente;
  4. Pratique a neutralidade cordial: não é preciso resgatar intimidade nem forçar proximidade. Um tom respeitoso e profissional é suficiente para manter o equilíbrio sem abrir espaço para mal-entendidos;
  5. Cuide do emocional fora da empresa: amizades são parte do afeto humano, e rupturas pedem elaboração. Ter outros círculos de apoio fora do trabalho permite que você processe a perda sem carregar todo o peso para dentro da organização.
Colunista alerta que é essencial entender que, no trabalho, nossa responsabilidade principal não é a manutenção das amizades, mas a entrega profissional — Foto: Freepik

Por fim, lembre-se: no ambiente de trabalho, não temos controle sobre quem se aproxima de quem, mas temos total controle sobre como escolhemos nos posicionar. Sua tranquilidade virá menos de tentar “recuperar espaço” e mais de adotar uma postura adulta, autônoma e segura diante dessa mudança. Preservar o profissionalismo é, nesse caso, proteger sua energia e sua reputação — e isso é um investimento de longo prazo na sua carreira.

Dani Jesus é psicóloga, ativista, criadora do Currículo Oculto e apaixonada por cultura, gestão de pessoas, diversidade, equidade e inclusão.

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Esta coluna se propõe a responder questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não a do Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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