O cessar-fogo entre Israel e Hamas entrará em vigor em menos de 24 horas, anunciou neste sábado o Ministério das Relações Exteriores do Catar.
Em uma publicação na plataforma X, o ministro das Relações Exteriores do Catar, Majid al-Ansari, informou que o cessar-fogo começará às 9h30 da manhã (horário de Brasília) de domingo e recomendou que a população aja com cautela quando o acordo entrar em vigor e aguarde instruções das autoridades.
O governo de Israel aprovou, na madrugada de hoje, o acordo para um cessar-fogo em Gaza, que permitirá a libertação de dezenas de reféns e interromperá a guerra de 15 meses contra o Hamas, aproximando os dois lados rivais do fim do conflito mais letal e destrutivo até hoje.
Apesar das notícias sobre a trégua, sirenes de alerta soaram em todo o centro de Israel neste sábado, e o exército relatou a interceptação de projéteis disparados do Iêmen. Os huthis, apoiados pelo Irã, intensificaram seus ataques com mísseis nas últimas semanas. O grupo insurgente afirma que os ataques fazem parte de uma campanha para pressionar Israel e o Ocidente devido à guerra no enclave palestino.
Os ataques israelenses na Faixa de Gaza também continuaram. O Ministério da Saúde palestino informou que pelo menos 23 pessoas morreram no último dia.
Segundo o acordo, nas próximas seis semanas, serão libertados 33 reféns mantidos na Faixa de Gaza em troca de centenas de palestinos encarcerados por Israel. Os demais reféns, incluindo soldados, serão libertados em uma segunda fase a ser negociada durante a primeira. O Hamas declarou que não libertará os reféns restantes sem um cessar-fogo duradouro e a retirada completa de Israel do enclave sitiado.
O pacto, aprovado pelo governo israelense e assinado pelo assessor de segurança nacional do país, prevê que a troca de prisioneiros comece às 17h de domingo. Israel liberará os prisioneiros palestinos assim que os reféns israelenses estiverem a salvo.
De acordo com o plano, na primeira fase, cerca de 1.900 prisioneiros palestinos serão libertados em troca de 33 reféns israelenses, vivos ou mortos. Entre os prisioneiros, 1.167 são residentes de Gaza detidos por Israel, mas que não participaram do ataque de 7 de outubro. Todas as mulheres e menores de 19 anos de Gaza detidos por Israel serão libertados nesta fase.
Todos os prisioneiros palestinos condenados por ataques letais serão exilados, seja para Gaza ou para o exterior, sendo proibidos de retornar a Israel ou à Cisjordânia. Alguns terão que se exilar por três anos, enquanto outros de forma permanente, segundo o documento.
Ainda restam questões cruciais sobre o cessar-fogo — o segundo alcançado durante a guerra —, incluindo os nomes dos 33 reféns que serão libertados e quais deles estão vivos.
O Hamas acordou a libertação de três mulheres no primeiro dia do cessar-fogo, quatro no sétimo dia e os 26 restantes nas cinco semanas seguintes.
As autoridades israelenses, por sua vez, libertarão prisioneiros palestinos. O Ministério da Justiça de Israel divulgou uma lista com mais de 700 pessoas que serão libertadas na primeira fase, informando que a operação não começará antes das 16h de domingo. Todos os prisioneiros da lista inicial são jovens ou mulheres.
Além disso, durante a primeira fase, as tropas israelenses se retirarão para uma zona de segurança de aproximadamente 1 km de largura dentro de Gaza, ao longo da fronteira com Israel.
Isso permitirá que os deslocados retornem às suas casas, incluindo na cidade de Gaza e no norte da Faixa. Com a maior parte da população forçada a viver em enormes acampamentos insalubres, os palestinos estão desesperados para retornar às suas casas, embora muitas tenham sido destruídas ou gravemente danificadas durante a campanha israelense.
O território, em grande parte devastado, também deverá ver um aumento na chegada de ajuda humanitária. Caminhões carregados de suprimentos alinharam-se na sexta-feira no lado egípcio do cruzamento de Rafah com Gaza. Neste sábado, dois ministros egípcios chegaram à península do Sinai para supervisionar os preparativos da distribuição de suprimentos e receber os feridos evacuados, segundo o Ministério da Saúde.
O Hamas desencadeou a guerra com seu ataque transfronteiriço ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1,2 mil pessoas e deixou cerca de 250 reféns. Quase 100 ainda permanecem cativos em Gaza.
Israel respondeu com uma campanha devastadora que já tirou a vida de mais de 46 mil palestinos, segundo autoridades locais de saúde. Embora os números não façam distinção entre civis e combatentes, as autoridades de saúde afirmam que mais da metade das vítimas são mulheres e crianças.
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