Em meio à crise do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), um dos candidatos a presidente do PT acusou o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de fazer “chantagem” com o governo ao impor prazo para a busca de uma alternativa ao aumento do imposto. No primeiro de cinco debates da campanha à presidência do PT, realizado na noite desta segunda-feira (2), os postulantes discutiram o pós-Lula, o distanciamento do partido das bases, a falta de diálogo com trabalhadores de aplicativos, criticaram a taxa de juros, fizeram a defesa da Venezuela e cobraram o rompimento de relações com Israel.
Um dos quatro candidatos à presidência e dirigente nacional da sigla, Romênio Pereira, disse que a “batalha do IOF não é qualquer coisa”, e que Hugo Motta fixar 10 dias de prazo para o governo alterar a regra de aumento do imposto é uma “chantagem”. “O governo quis cobrar dos mais ricos e fez certo, errou ao recuar”, afirmou Pereira, que é o atual secretário nacional de Relações Internacionais do partido. Ele acrescentou que o governo não deve fazer ajuste fiscal em cima da classe trabalhadora, e criticou propostas como a reforma administrativa e uma nova reforma da Previdência Social. “Eles querem nos derrotar em 2026 ou criar uma situação de ingovernabilidade”, protestou.
O ex-prefeito de Araraquara (SP) Edinho Silva, que tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos bastidores, disse que o pleito de 2026 será o último em que ele concorrerá, e que o partido tem de se preparar para o futuro sem o nome do mandatário nas urnas. “O sucessor do Lula não será um nome, o sucessor dele será um PT forte e organizado”, afirmou. Ele defendeu que o partido se estruture para chegar forte às eleições do ano que vem, e que construa mais nomes para continuar disputando os rumos da sociedade brasileira.
Os quatro candidatos foram unânimes em afirmar que o PT se afastou das bases da legenda, dos movimentos sociais e que ficou mais difícil levar o povo para a rua. “A direita tomou as ruas da gente”, alertou o deputado federal Rui Falcão (SP), que já presidiu o PT e pleiteia novo mandato à frente do partido. “Lula tem que falar mais com o povo, eu só escuto isso”, disse Romênio.
Nesse momento, Edinho ponderou que o PT não consegue dialogar com a maior classe de trabalhadores do país, que seriam os motociclistas entregadores de aplicativos e os motoristas de aplicativos. “Não podemos ser o partido somente dos empregados que têm vínculo formal”, cobrou Edinho, que tem o apoio das duas maiores tendências da sigla, Construindo um Novo Brasil (CNB), da qual Lula faz parte, e Resistência Socialista. “Temos que disputar a consciência da classe trabalhadora”, exortou.
Os candidatos também criticaram a alta da taxa Selic, que está em 14,75%, e o processo para conceder autonomia plena ao Banco Central. “Não dá para o governo do PT indicar o presidente do BC, e ele impor a mais alta taxa de juros à população pobre”, disse Romênio, em crítica ao presidente da instituição, Gabriel Galípolo, que foi nomeado por Lula.
Rui Falcão defendeu, ainda, que o PT volte a dialogar com as forças de esquerda internacionais, faça o combate ao imperialismo dos Estados Unidos, e questionou por que a Venezuela ainda não faz parte do bloco dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que foi ampliado com países convidados. Falcão também cobrou engajamento do PT e do governo na campanha internacional em defesa da Palestina, bem com o rompimento das relações diplomáticas e comerciais com Israel.
Além de Edinho, Falcão e Romênio, o historiador e líder da tendência Articulação de Esquerda, Valter Pomar, também concorre à presidência da sigla. Ainda serão promovidos mais quatro debates com os postulantes. As eleições, onde devem votar quase 3 milhões de filiados em todo o país, ocorrerão no dia 6 de julho, e a posse do novo presidente será em agosto.
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