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BYD desenvolverá carros desenhados para o Brasil | Empresas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 08/12/2024 às 11:53 · Atualizado há 1 dia
BYD desenvolverá carros desenhados para o Brasil | Empresas
Foto: Reprodução / Arquivo

O Brasil nunca teve uma grande montadora nacional. Mas as estrangeiras que aqui se instalaram aprenderam a conhecer as preferências locais e até desenvolver carros sob medida para o brasileiro. As chinesas planejam fazer a mesma coisa. Segundo Stella Li, vice-presidente executiva global da BYD, no fim de 2025, a empresa terá dois modelos com “design especial para o Brasil”.

A adequação das futuras gerações de veículos da BYD ao gosto brasileiro tende a ser a próxima grande investida da chinesa no país e um diferencial da fábrica na Bahia, com inauguração marcada para março. Sustentada até agora apenas por produtos importados, a montadora já é dona de 2,98% do mercado brasileiro, ocupando a décima posição nas vendas de carros e comerciais leves.

Para colocar esse plano em ação a empresa já prepara a equipe local de engenharia e design. “Vamos ter pelo menos 2 mil pessoas trabalhando na área de pesquisa e desenvolvimento no Brasil”, disse Li em entrevista exclusiva ao Valor e à revista “Autoesporte”.

Antes, porém, de projetar carros ao gosto brasileiro, essa equipe tem uma missão mais urgente: desenvolver veículos híbridos movidos a etanol. “O etanol é a forma brasileira”, afirma Li.

A executiva esteve no Brasil na semana passada para acompanhar as obras de construção da fábrica em Camaçari (BA) e para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem anunciou o plano de aumentar o número de empregos, diretos e indiretos, dos 10 mil anunciados anteriormente para 20 mil. Metade desse total será contratada já em 2025, segundo ela.

A decisão de dobrar a quantidade de empregos, diz, foi tomada porque “os negócios têm sido muito bem-sucedidos”. “Estamos indo muito bem”, destacou. Ela também contou a Lula sobre os planos de fazer motores flex que “potencializarão o uso do etanol”.

Segundo dados de emplacamento da Fenabrave (Federação da Distribuição de Veículos), apurados junto aos órgãos de trânsito, o volume de vendas da BYD acumulado este ano (66,7 mil unidades) é cinco vezes maior do que em igual período de 2023.

A expectativa de Li é crescer mais no próximo ano. Enquanto as previsões do setor indicam um mercado total em 2025 muito parecido ao de 2024, Li diz que a BYD espera um volume de vendas pelo menos 50% maior.

Poucos dias antes de Li anunciar a Lula a intenção de ampliar o número de empregos no país, uma denúncia anônima de más condições de trabalho e de agressões levou o Ministério Público do Trabalho na Bahia até o canteiro de obras da fábrica em Camaçari.

Em nota, a BYD destacou ter “determinado às empresas prestadoras de serviços responsáveis pelas obras que solucionem todos os pontos observados e que envolvidos em casos de agressão sejam proibidos de entrar no local e tenham os vistos de trabalho cancelados”.

Li não fornece detalhes sobre procedimentos internos relacionados ao episódio. Ela afirma, no entanto, que a montadora “não tolera” esse tipo de situação. “Tomamos conta dos nossos empregados muito bem; temos cuidado com segurança e responsabilidade social”, diz. Ao mesmo tempo, a executiva não descarta a possibilidade de eventual “ataque” para arranhar a imagem da marca.

Enquanto isso, as obras seguem aceleradas. O objetivo é, na primeira fase, ter pronto o galpão onde os veículos serão montados com kits de componentes importados da China. A segunda fase prevê produção local já em 2025. A BYD anunciou investimento de R$ 5 bilhões no Brasil.

A antiga instalação onde antes funcionava uma fábrica da Ford está sendo totalmente modificada e contará, na segunda fase, com 28 novas edificações. A nova fábrica terá capacidade para produzir 150 mil veículos por ano e, futuramente, segundo Li, chegar a 300 mil. E quando a fábrica alcançará capacidade anual de 300 mil? “O mais rápido possível”, responde Li.

Segundo a executiva, a linha de montagem em Camaçari será extremamente flexível. Foi projetada para poder produzir até 12 diferentes modelos simultaneamente. “Trazemos um tipo de inovação que será capaz de mudar a indústria”, destaca.

O motor flex (que pode funcionar com gasolina ou etanol) será fabricado em Camaçari e equipará o utilitário esportivo Song Pro, um híbrido plug-in (veículo que tem motor a combustão, mas permite carregamento em tomada, o que aumenta a experiência da condução elétrica). O Dolphin mini, o 100% elétrico mais vendido no país, também será fabricado no país.

Li não se preocupa com a infraestrutura de carregamento de baterias nas cidades e estradas. Segundo ela, trata-se de um movimento que envolve parceiros especializados de todos os fabricantes de veículos elétricos. “No futuro, as estações de carregamento de baterias serão equivalentes aos postos de combustível de hoje”, afirma.

Para o treinamento do pessoal, a montadora tem promovido uma série de viagens de profissionais para a China ao mesmo tempo em que chineses também têm se deslocado para o Brasil.

Nascida em Yunnan, sudoeste da China, e formada em Estatística, Li tem uma trajetória profissional que se confunde com a história da BYD. Ela começou a trabalhar na BYD um ano depois que a empresa foi fundada, em 1995.

Numa de suas primeiras entrevistas, ela disse ao Valor que, para uma jovem recém-formada, entrar numa empresa chamada “Construa seus sonhos” parecia trazer a perspectiva de um “futuro brilhante”.

A BYD chegou ao Brasil em 2015, quando instalou uma fábrica de montagem de ônibus elétricos em Campinas (SP). Dois anos depois, iniciou, ali, a produção de módulos fotovoltaicos, para painéis de energia solar. Em 2020, instalou, em Manaus, uma linha de montagem de baterias de fosfato de ferro-lítio para abastecer a frota de ônibus elétricos. O grupo também desenvolve projetos de monotrilhos, em São Paulo.

Recentemente, o comando de Li na companhia foi ampliado. Além de vice-presidente executiva global e CEO nas Américas, ela passou a ser também a responsável pela marca na Europa.

O próximo passo será a construção de uma fábrica no México. Segundo Li, em 2025 será definido o local da fábrica mexicana. A expansão fora da China acelera o crescimento da marca que ultrapassou a Tesla e se tornou a maior fabricante de veículos elétricos do mundo.

O crescimento de vendas de marcas chinesas tem sido tema de debate entre montadoras de outras origens em todo o mundo. Recentemente, o governo dos Estados Unidos aumentou a alíquota do Imposto de Importação de 25% para 100%. Questionada se acredita que as marcas europeias, americanas e outras asiáticas estão preocupadas com a onda chinesa Li responde: “Eu acho que sim. Mas eu não presto atenção nelas”.


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