No final de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) deu sinal verde para manter mobilizados os acampamentos de seus apoiadores políticos, diz denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta terça-feira (18). Na época, diz a denúncia, havia insegurança quanto à existência de suporte armado para o movimento.
Os acampamentos começaram a se formar após o resultado das eleições, ocupados por bolsonaristas insatisfeitos com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Parte dos ocupantes participaram dos atos de 8 de janeiro.
De acordo com a PGR, o sinal de Bolsonaro para manter os acampamentos foi uma nota oficial em que defendia a “liberdade de expressão”, publicada no dia 11 de novembro na página da Força Aérea Brasileira. O então presidente, diz a denúncia, “sabia que a mensagem seria recebida por seus apoiadores como sinal de aquiescência das Forças Armadas aos acampamentos espalhados pelo país. “
Em sua colaboração para as investigações, Mauro Cid confirmou que a nota foi emitida por ordem de Bolsonaro e que o objetivo era manter a mobilização.
Em troca de mensagens com o general Freire Gomes, Cid elogia a nota e diz que os movimentos se sentiam seguros para dar um passo à frente. Detalhou que os movimentos seriam dirigidos para o “Congresso, STF, Praça dos Três Poderes basicamente”, em 15 de novembro.
“Evidenciou-se, assim, que os movimentos populares eram encorajados por ações previamente calculadas da organização criminosa”, diz a denúncia. “As manifestações realizadas não eram orgânicas, os locais escolhidos não eram acidentais, mas fruto de direcionamento pelos denunciados, especialmente pelos militares com formação em Forças Especiais, que estavam em constante interlocução com as lideranças populares.”