O bitcoin (BTC) opera em alta nesta segunda-feira (4) após a maior das criptomoedas cair no fim de semana e perder os US$ 70 mil. O desempenho de hoje vem um dia antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos e dois antes da decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc).
Em relação às eleições, a maior parte dos entusiastas dos criptoativos torce para uma vitória do republicano Donald Trump, que passou boa parte da campanha fazendo sinalizações positivas para o setor. O cenário, contudo, é bastante incerto, com uma chance quase igual de vitória para Trump ou para a democrata Kamala Harris.
No caso do Fomc, as expectativas são de um corte de 0,25 ponto percentual nos juros americanos. As apostas foram reforçadas pelo Relatório de Emprego dos EUA de outubro, que revelou uma criação de vagas bem abaixo da esperada, totalizando 12 mil, ante uma projeção mediana dos economistas de 100 mil.
Perto das 10h51 (horário de Brasília) o bitcoin sobe 1,1% em 24 horas, cotado a US$ 68.822 e o ether, moeda digital da rede Ethereum, tem alta de 1,2% a US$ 2.465, conforme dados do CoinGecko. O valor de mercado somado de todas as criptomoedas do mundo é de US$ 2,4 trilhões. Em reais, o bitcoin apresenta perdas de 0,8% a R$ 401.401, enquanto o ether recua 0,7% a R$ 14.367, de acordo com valores fornecidos pelo MB.
Entre as altcoins (as criptomoedas que não são o bitcoin), a solana (SOL) sobe 1,3% a US$ 163,78 e o BNB (token da Binance Smart Chain) tem alta de 1% a US$ 559,90.
Entre os fundos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin à vista negociados nas bolsas americanas, na sexta (1) foi registrado um saldo líquido negativo de US$ 54,9 milhões, interrompendo uma sequência de sete pregões de entrada de capital. Os principais responsáveis pelos números negativos foram o FBTC, da Fidelity, com US$ 25,6 milhões de excesso de vendas de cotas em relação às compras, e o ARKB, da Ark Invest, com US$ 24,1 milhões. Entre os ETFs de ether, o fluxo foi negativo em US$ 10,9 milhões. Quem impulsionou a saída de capital foi o ETHE, da Grayscale, com US$ 11,4 milhões de saldo líquido vendedor.
Segundo Beto Fernandes, analista da Foxbit, o bitcoin operou com bastante volatilidade na semana passada, indo de uma quase renovação da máxima histórica aos US$ 73 mil até uma volta para menos de US$ 70 mil. “Essa movimentação rápida chegou a colocar quase 100% das carteiras de BTC no lucro quando olhamos para os dados on-chain”, afirma.
Para Fernandes, até o fim do processo eleitoral, provavelmente o mercado vai passar por outras ondas de volatilidade. “E isto pode ser visto por alguns como oportunidade para vender ou acumular ainda mais a criptomoeda.”
Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, diz que o preço do bitcoin encontrou muita oferta vendedora após quase atingir máxima no dia 29. “Apesar da queda, o preço que o bitcoin atingiu está em uma região de liquidez onde há demanda compradora. No entanto, ainda não entrou fluxo comprador forte, e por essa razão, há a possibilidade de continuidade de queda até os suportes de curto e médio prazo nos US$ 62.900 e US$ 61.900. As resistências de curto e médio prazo estão nas áreas de valor dos US$ 69.600 e US$ 71.715”, projeta.