O bitcoin (BTC) opera em queda nesta terça-feira (4) após a coletiva de imprensa convocada por David Sacks, conhecido como “czar cripto” e líder do grupo de trabalho de ativos digitais da Casa Branca, terminar com poucos anúncios concretos. O grupo informou que um comitê bicameral foi formado no Congresso para trabalhar em uma regulamentação para criptomoedas com foco em stablecoins, mas a tão esperada reserva estratégica de bitcoin prometida pelo presidente Donald Trump está apenas “em estudo” por enquanto.
Mais cedo, o ímpeto comprador nas criptomoedas já vinha sendo comprometido pela notícia de que a China retaliará as tarifas impostas pelos Estados Unidos com suas próprias medidas protecionistas. O presidente americano impôs tarifas adicionais de 10% a todas as importações chinesas, ao que o Ministério das Finanças da China respondeu com a imposição de taxas de 15% sobre o carvão e o Gás Natural Liquefeito (GNL) dos EUA, além de 10% sobre o petróleo bruto, equipamentos agrícolas e automóveis. A guerra comercial promovida por Trump tem provocado uma aversão a risco em todos os mercados devido a incertezas com o futuro da economia e preocupações com a inflação americana.
Perto das 18h39 (horário de Brasília), o bitcoin cai 4,8% em 24 horas, cotado a US$ 96.981 e o ether, moeda digital da rede Ethereum, tem queda de 2,2% a US$ 2.683, conforme dados do CoinGecko. O valor de mercado somado de todas as criptomoedas do mundo é de US$ 3,3 trilhões. Em reais, o bitcoin tem perdas de 5,6% a R$ 559.893, de acordo com valores fornecidos pelo Cointrader Monitor.
Entre as altcoins (as criptomoedas que não são o bitcoin), o XRP, token de pagamentos internacionais da Ripple, despenca 9,4% a US$ 2,46. Já a solana recua 5,2% a US$ 203,93 e o BNB (token da Binance Smart Chain) registra desvalorização de 7,7% a US$ 561,09.
Segundo Beto Fernandes, analista da Foxbit, o mercado está lendo de forma cautelosa os recentes movimentos de Trump. “Se por um lado ele conseguiu ganhar a guerra comercial contra México e Canadá, a China não cedeu à pressão e não só devolveu na mesma moeda tarifária, como ainda acionou investigações sobre algumas empresas norte-americanas. Mesmo que a poeira do tarifaço tenha abaixado, ainda há certa fuligem no ar, o que impede um movimento mais agressivo dos investidores”, afirma.
Fernandes destaca que boa parte dos investidores espera que o primeiro passo na regulação de criptomoedas dos EUA seja dado até novembro, algo que é positivo, porém as tensões macroeconômicas ainda sobrecarregam o humor do mercado. “Se a história se repetir, o mercado tende a dar menos importância às falas de Trump. Entretanto, suas ações podem se tornar mais agressivas, limitando o conforto dos investidores nos períodos de maior crise”, avalia.
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