O banco central da Argentina (BCRA) está intervindo de forma agressiva no mercado de câmbio para tentar retardar a perda de valor do peso no mercado paralelo (blue). Nesta terça-feira, a moeda americana era vendida por 1.260 pesos a unidade. Isso elevou a diferença entre a cotação do câmbio oficial e o paralelo a 18%.
Nos últimos dois dias, a instituição vendeu mais de US$ 500 milhões para tentar conter a alta da cotação informal. Mas essas medidas pressionam ainda mais as reservas cambiais, em déficit profundo e persistente há meses.
O governo da Argentina conquistou a confiança de mercados e investidores desde que o presidente direitista Javier Milei assumiu o cargo no fim de 2023, com um radical programa de austeridade. Mas isso não foi suficiente para a recomposição das reservas.
Milei tenta um novo empréstimo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas detalhes dessas negociações são vagos e têm ampliado as incertezas. Além disso, o plano de Milei ainda enfrenta oposição no Congresso.
Essa incerteza pressionou o peso este ano após um forte 2024, ampliando novamente a diferença entre a taxa de câmbio oficial rigidamente controlada e as taxas paralelas populares usadas por muitos argentinos.