As autoridades austríacas disseram neste domingo (16) que o esfaqueamento de seis pedestres, que resultou na morte de um garoto de 14 anos, foi cometido por um homem com possíveis ligações com o grupo Estado Islâmico, que aparentemente agiu sozinho.
O suspeito, um sírio de 23 anos, foi preso após o ataque ocorrido no sábado na cidade de Villach, no sul da Áustria. Outras cinco pessoas ficaram feridas, sendo duas em estado grave.
"Este é um ataque islamista com conexão ao EI, cometido por um agressor que se radicalizou sozinho em um curto período de tempo pela internet", disse o ministro do Interior, Gerhard Karner, em uma coletiva de imprensa em Villach no domingo.
Diante do aumento do debate sobre imigração e solicitantes de asilo, Karner afirmou que será necessário "realizar uma investigação massiva, pois esse assassino não era um suspeito conhecido".
Embora Karner não tenha dado detalhes, Herbert Kickl, líder da direita austríaca, cujo partido venceu as eleições nacionais há quatro meses, pediu "restrições severas ao asilo" após o ataque.
O governador estadual, Peter Kaiser, agradeceu a um sírio de 42 anos, funcionário de uma empresa de entregas, que interveio no ataque ao atropelar o suspeito e impediu que a situação piorasse.
"Isso mostra como, dentro da mesma nacionalidade, podem coexistir tanto a maldade terrorista quanto a bondade humana", afirmou Kaiser.
O prefeito de Villach, Günther Albel, classificou o ataque como "uma facada no coração da cidade".
Bandeiras do Estado Islâmico e possível radicalização online
De acordo com a diretora da polícia estadual, Michaela Kohlweiß, a polícia vasculhou o apartamento do suspeito com cães farejadores e encontrou bandeiras do Estado Islâmico nas paredes.
"Não foram encontradas armas ou objetos perigosos, mas celulares foram apreendidos", disse Kohlweiß. As investigações ainda tentam determinar se o agressor teve cúmplices, mas até o momento ele é considerado um “lobo solitário”.
Kohlweiß afirmou que o suspeito, que não era conhecido pela polícia, aparentemente se radicalizou rapidamente na internet. Como medida de segurança, o policiamento será reforçado nas ruas de Villach e em eventos públicos nas próximas semanas.
O agressor utilizou um canivete automático no ataque.
Os feridos incluem dois meninos de 15 anos, um homem de 28 anos, outro de 32 anos e outro de 36 anos. Quatro seguem hospitalizados, enquanto um foi tratado por ferimentos leves.
O segundo ataque jihadista fatal na Áustria em poucos anos
Este é o segundo ataque jihadista mortal na Áustria nos últimos anos. Em novembro de 2020, um homem que tentou se juntar ao Estado Islâmico realizou um massacre em Viena, usando um rifle automático e um colete explosivo falso. O ataque deixou quatro mortos antes que o agressor fosse abatido pela polícia.
Moradores de Villach começaram a colocar velas no local do ataque, e vários jovens que conheciam o menino assassinado se reuniram no local para homenageá-lo e lamentar a perda.
O presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, classificou o ataque como "horrível" e afirmou no X (antigo Twitter): "Nenhuma palavra pode desfazer o sofrimento, o horror e o medo. Meus pensamentos estão com a família da vítima e os feridos."
A Comunidade Síria Livre da Áustria publicou um comunicado no Facebook, se distanciando do atentado e expressando suas mais profundas condolências às famílias das vítimas.
"Todos nós tivemos que fugir da Síria porque não estávamos seguros lá. Ninguém deixou seu país voluntariamente. Estamos gratos por termos encontrado asilo e proteção na Áustria."
A organização também ressaltou: "Aqueles que causam discórdia e perturbam a paz da sociedade não representam os sírios que buscaram e receberam proteção aqui."
Carnaval cancelado e reforço na segurança
Villach, uma cidade turística perto das fronteiras com Itália e Eslovênia, é conhecida por seu ambiente tranquilo, combinando tradições alpinas e mediterrâneas. Como medida de segurança, um desfile de carnaval anual, que aconteceria no sábado, foi cancelado após o ataque.
O Ministério do Interior da Áustria disponibilizou uma plataforma online para que testemunhas possam enviar vídeos e fotos do atentado.
As autoridades locais também anunciaram a criação de um time de apoio psicológico para alunos, que estará disponível nas escolas a partir de segunda-feira.
Reforço nas leis de imigração
Após o ataque, aumentaram as pressões para endurecer as leis de imigração no país. Herbert Kickl, líder do partido de direita, afirmou no X: "Estou chocado com este ato horrível em Villach. Mas também estou furioso — furioso com os políticos que permitiram que esfaqueamentos, estupros, guerras de gangues e outros crimes brutais se tornassem comuns na Áustria. Um jovem pagou com a própria vida pelo fracasso do sistema."
Ele criticou as regras de imigração da Áustria e da União Europeia, alegando que são "equivocadas e intocáveis".
O líder do partido conservador, Christian Stocker, disse que o agressor "deve ser julgado e punido com todo o rigor da lei". "Todos queremos viver em uma Áustria segura. Para isso, medidas políticas devem ser tomadas para evitar tais atos de terror no futuro."
O líder dos social-democratas, Andreas Babler, também condenou o ataque: "Crimes como este simplesmente não deveriam ocorrer em nossa sociedade."