A manifestação convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados neste domingo (29), em São Paulo, na avenida Paulista, reuniu 12,4 mil pessoas no horário com maior movimento, às 15h40, segundo estudo feito pelo “Monitor do Debate Político” do Cebrap e a ONG More in Common. O ato com o mote “Justiça Já” foi mais esvaziado do que os anteriores organizados pelos apoiadores do ex-presidente na capital paulista.
Em 6 de abril, a manifestação com Bolsonaro na avenida Paulista reuniu 44,9 mil pessoas. Em fevereiro do ano passado, foram 185 mil apoiadores.
A estimativa do público foi feita no momento de pico da manifestação, a partir de fotos áreas analisadas com um software de inteligência artificial. Foram tiradas fotos em quatro horários diferentes: 14h, 14h45, 15h20 e 15h40. O erro percentual absoluto da contagem de público é de 12%. Com isso, pode haver 1,5 mil pessoas para mais ou para menos, segundo o estudo dirigido pelos pesquisadores Márcio Moretto, da USP/ Cebrap, e Pablo Ortellado, da USP/ More in Common.
O público reunido neste domingo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro é menor também do que o registrado pelos pesquisadores na parada LGBTQIA+, também na avenida Paulista, no dia 2 de junho. Na ocasião, havia 73,6 mil pessoas no horário de pico.
O Monitor do Debate Político é um projeto de pesquisa fundado em 2015 na Universidade de São Paulo e atualmente sediado no Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento).
Apoiadores de Bolsonaro já sabiam, antes mesmo da chegada do ex-presidente ao ato, que o público era menor do que os eventos anteriores.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que o tamanho do público “é o menos importante”. “Não podemos esperar ter recorde em cima de recorde’, afirmou ao falar com jornalistas, pouco antes do início da manifestação.
No palanque, o pastor Silas Malafaia, organizador do ato, minimizou o esvaziamento e disse que, em sua avaliação, é maior do que as manifestações organizadas pela esquerda. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que os jogos de futebol e o “fim do mês”, quando as pessoas estão com o orçamento mais apertado, contribuíram para que menos pessoas participassem da manifestação na avenida Paulista.