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Associação da indústria de alimentos diz que Lula tem sido ‘muito sábio’ em não intervir nos preços | Empresas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 20/02/2025 às 18:22 · Atualizado há 1 semana
Associação da indústria de alimentos diz que Lula tem sido ‘muito sábio’ em não intervir nos preços | Empresas
Foto: Reprodução / Arquivo

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), João Dornellas, declarou, durante encontro com a imprensa nesta quinta-feira (20), que a instituição está em contato com o governo federal para sugerir medidas para controlar os preços dos alimentos. O posicionamento vem no momento em que o presidente Lula (PT) disse que vai chamar atacadistas para uma reunião para tentar encontrar uma alternativa.

“O presidente tem sido muito sábio ao dizer que não pretende fazer nenhuma intervenção heterodoxa (...) Ele sabe que seria uma intervenção no mercado, e isso, a médio prazo, sempre traz resultados ruins. Você pode resolver o problema no curtíssimo prazo e causar um problema maior”, afirmou Dornellas. Segundo ele, a Abia tem feito propostas ao governo com recomendações para reduzir os custos da indústria.

Entre as medidas, estariam investimentos na infraestrutura de transportes, para acelerar o trânsito da safra deste ano, que pode chegar a 325 milhões de toneladas. “Existem coisas que o Brasil pode fazer para reduzir o preço dos alimentos. Quanto mais rápido essa safra sai do campo para chegar na indústria, e da maneira mais barata possível, mais afeta o custo dos alimentos”, apontou.

A redução de impostos em importação de material de embalagens também foi sugerida ao governo, segundo Dornellas. Ele também destacou que qualquer medida do governo para reduzir o preço da energia elétrica e do diesel é bem-vinda, mas rejeitou a possibilidade de subsídios: “Não seria bom para a economia”.

Gustavo Bastos, presidente do conselho diretor da Abia, também destacou que a indústria já está ajustando suas margens para reduzir o impacto dos preços no bolso consumidor. Segundo ele, uma forma de fazer essa compensação é aumentar o volume na indústria e investimentos em despesas de capital.

Dispostos a cortar na margem

“A indústria já está fazendo, o que não significa que tenha chegado no limite, mas já existe uma tensão nessa equação para a indústria (...) A indústria está disposta a cortar na margem para garantir que continue vendendo”.

O custo médio de produção de alimentos industrializados subiu 9,3%, enquanto a inflação de alimentos industrializados medida pelo IPCA-IBGE foi de 7,7%. Bastos argumenta que estes dados indicam de que a indústria, de fato, absorveu parte dos custos para proteger os preços.

Preocupação com aumento das importações

O presidente da Abia também afirmou que vê com preocupação a possibilidade de aumento das importações como medida para baixar os preços: “Tanto colocar mais imposto para exportar, quanto favorecer as importações, não têm demonstrado que dá resultado a médio e longo prazo. O mercado se adequa e se adapta. A safra que vem aí já está derrubando o preço de muitas commodities”.

De acordo com o balanço anual da Abia, cacau e café lideraram o aumento de preço em 2024, com 189% e 140,3% de alta, respectivamente. Na sequência, leite (+22,6%), milho (+9,3%) e trigo (+9%) completam a lista das cinco maiores altas registradas em 2024. O maior pico ficou com o cacau, que chegou a registrar aumento de 282% em junho do ano passado.

A associação aponta que restrições de oferta e eventos climáticos adversos, como as enchentes no Rio Grande do Sul e estiagens prolongadas no Centro-Oeste, Sudeste e Norte, reduziram a safra de grãos e impactaram a qualidade das pastagens, pressionando os preços de matérias-primas essenciais, como soja, milho, trigo, leite e carne. Além disso, ao longo de 2024, a indústria de alimentos enfrentou um aumento significativo nos custos de produção, impulsionado pela alta nos preços das commodities agrícolas, das embalagens e das energias.

A elevação do imposto de importação sobre resinas plásticas e os reajustes no custo da energia elétrica (+10%), diesel (+7%) e gás natural (+6%) também aumentaram a pressão no setor.

João Dornellas, presidente da Abia — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

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