A Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) divulgaram uma nota conjunta nesta quarta-feira (4) em que criticam a possibilidade de ampliação de voos no Aeroporto Santos Dumont, estudada pelo governo federal.
A ideia do governo é promover uma ampliação gradativa da movimentação do Santos Dumont, atualmente limitada a 6,5 milhões de passageiros, para fazer uma recomposição gradual do caixa da Infraero, como mostrou o Valor.
Na nota, as entidades afirmam que a tentativa vai na contramão dos interesses do Estado e do município de viabilizar economicamente as operações do aeroporto internacional do Galeão, na zona norte do Rio, que está “retomando seu protagonismo” como porta de entrada de voos internacionais no país.
“Essa nova tentativa absurda de esvaziar o Galeão vai totalmente na contramão dos interesses do nosso Estado e de todos os municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro, e parece ter um claro interesse de inviabilizar economicamente o Galeão favorecendo aeródromos de outros Estados”, diz o texto.
Localizado na Ilha do Governador, zona Norte do Rio, o Galeão foi concedido à iniciativa privada em 2014, mas nunca atingiu a demanda de passageiros projetada. A concessionária Changi, que administra o terminal, chegou a anunciar o desejo de devolver a concessão, mas recuou após um acordo pelo qual o governo se comprometeu a limitar os voos do Santos Dumont.
O Ministério de Portos e Aeroportos confirmou nesta quarta (4) que vai avaliar uma ampliação “pequena” no limite de passageiros que podem usar o Santos Dumont. A análise será feita em 2025 conjuntamente com o Tribunal de Contas da União (TCU).
Segundo a Pasta, o estudo atende a um pedido da Infraero, responsável pelo Santos Dumont, para ampliar o limite de passageiros no terminal doméstico.
“Mais uma vez, alguns representantes da aviação civil, inexplicavelmente, tentam esvaziar a exitosa operação de retomada de voos nacionais e internacionais para o aeroporto do Galeão, propondo o retorno dos voos nacionais para o Santos Dumont e enfraquecendo o principal aeroporto da segunda maior economia do país”, critica a nota assinada por ACRJ e Firjan.
As organizações também criticam as condições do Santos Dumont, afirmando que o terminal opera “sobrecarregado”, com filas de espera “monstruosas” para o estacionamento e gargalos na segurança.
“O trabalho de lobby pelo esvaziamento que tornaria insustentável economicamente o Galeão torna-se um vergonhoso desrespeito com a população carioca e com a economia fluminense”, afirmam.
A nota destaca que desde a implementação do teto anual de 6,5 milhões de passageiros no Santos Dumont, o Galeão registrou um aumento de 31,2% na movimentação de passageiros internacionais de janeiro a outubro de 2024, em relação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo foi registrado um crescimento de 49,4% no transporte de cargas.
“É inaceitável para o turismo, para a captação da movimentação de cargas, para os cidadãos que aqui vivem e para negócios da cidade que agora as autoridades responsáveis federais pela aviação comercial brasileira queiram mais uma vez retroceder e contribuir para o esvaziamento econômico do nosso Estado mesmo depois da posição pública e clara do presidente da República, do governador do Estado e do prefeito do Rio de Janeiro no compromisso dessa retomada”, afirmam as entidades.
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