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Apple planeja reformular Safari nos dispositivos e migrar para busca com inteligência artificial | Empresas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/05/2025 às 15:31 · Atualizado há 2 dias

A Apple Inc. está "analisando ativamente" a reformulação do navegador Safari em seus dispositivos para se concentrar em mecanismos de busca com tecnologia de IA, uma mudança radical para o setor acelerada pelo possível fim de uma parceria de longa data com o Google.

Eddy Cue, vice-presidente sênior de serviços da Apple, fez a revelação nesta quarta-feira (7), durante seu depoimento no processo movido pelo Departamento de Justiça dos EUA contra a Alphabet Inc. O cerne da disputa é o acordo estimado em US$ 20 bilhões por ano entre as duas empresas, que torna o Google a oferta padrão para consultas no navegador da Apple. O caso pode forçar as gigantes da tecnologia a desfazer o pacto, alterando o modo como o iPhone e outros dispositivos operam há muito tempo.

Além dessa turbulência, a IA já está conquistando espaço entre os consumidores. Cue observou que as buscas no Safari caíram pela primeira vez no mês passado, o que ele atribuiu ao uso da IA. Cue disse acreditar que os provedores de busca por IA, incluindo OpenAI, Perplexity AI Inc. e Anthropic PBC, eventualmente substituirão mecanismos de busca padrão como o Google, da Alphabet. Ele afirmou acreditar que a Apple trará essas opções para o Safari no futuro.

"Vamos adicioná-los à lista — provavelmente não serão o padrão", disse ele, indicando que ainda precisam ser aprimorados. Cue observou especificamente que a empresa teve algumas discussões com a Perplexity.

Mudança iminente é gigantesca

“Antes da IA, minha percepção sobre isso era que nenhuma das outras opções era válida”, disse Cue. “Acredito que hoje o potencial é muito maior porque há novos participantes atacando o problema de uma maneira diferente.”

A mudança iminente é gigantesca para o icônico iPhone e para uma empresa com mais de 2 bilhões de dispositivos ativos. Desde o lançamento do smartphone original da Apple, em 2007, os usuários navegam na web fazendo buscas no Google. Agora, os consumidores entrarão em um universo dominado pela IA de diversas empresas.

Reação dos investidores

Os investidores viram o depoimento como um mau presságio tanto para a Alphabet quanto para a Apple, que podem ter que abandonar um acordo lucrativo.

As ações da Alphabet despencaram até 8,7% nesta quarta-feira, arrastando o mercado em geral para baixo. As ações da Apple também despencaram com os comentários de Cue, chegando a recuar 2,7%. O índice S&P 500 chegou a cair brevemente, recuperando-se de um ganho anterior que havia ultrapassado 0,5%.

Atualmente, a Apple oferece o ChatGPT da OpenAI como opção na assistente digital Siri e espera-se que adicione o Gemini, o produto de busca por IA do Google, ainda este ano. Cue disse que a Apple também considerou a Anthropic, a Perplexity, a DeepSeek, com sede na China, e a Grok, da xAI, de Elon Musk, para esse fim. Ele afirmou que o acordo com a OpenAI permite que a empresa adicione outros provedores de IA ao sistema operacional da empresa, incluindo o da própria Apple.

Antes de o ChatGPT ser escolhido no ano passado como parte do Apple Intelligence no iOS 18, houve uma "disputa" com o Google, disse Cue. Ele disse que o Google havia fornecido um termo de compromisso que "continha muitas coisas com as quais a Apple não concordaria e não concordou com a OpenAI".

"Você pode não precisar de um iPhone daqui a 10 anos"

A tecnologia está mudando tão rápido que as pessoas podem nem usar os mesmos dispositivos daqui a alguns anos, disse Cue. "Você pode não precisar de um iPhone daqui a 10 anos, por mais louco que pareça", disse ele. "A única maneira de realmente haver concorrência é quando há mudanças tecnológicas. Mudanças tecnológicas criam essas oportunidades. A IA é uma nova mudança tecnológica e está criando novas oportunidades para novos entrantes."

Cue disse que, para melhorar, os jogadores de IA precisariam aprimorar seus índices de busca. Mas, mesmo que isso não aconteça rapidamente, eles têm outros recursos que são "tão melhores que as pessoas vão migrar".

“Há dinheiro suficiente agora, participantes grandes o suficiente, e não vejo como isso não pode acontecer”, disse ele, referindo-se à mudança da busca padrão para a IA.

Cue também disse que grandes modelos de linguagem — a tecnologia subjacente à IA generativa — continuarão a melhorar, dando aos usuários mais motivos para mudar seus hábitos.

Acordo com Google e perda de sono

Ainda assim, ele acredita que o Google deve permanecer como padrão no Safari, afirmando que perdeu o sono com a possibilidade de perder a divisão de receita do acordo. Ele afirmou que o acordo da Apple com o Google para buscas regulares ainda tem os termos financeiros mais favoráveis.

No ano passado, as empresas expandiram o acordo para incluir a integração do Google Lens como parte do recurso de Inteligência Visual nos iPhones mais recentes. Isso permite que o usuário tire uma foto e use a inteligência artificial do Google para analisá-la. A Cue também afirmou que seu acordo com o Bing, da Microsoft Corp. — uma opção não padrão no Safari — foi recentemente alterado para um acordo anual.

A tecnologia de IA da Apple ficou para trás em relação às concorrentes. A empresa não possui um mecanismo de busca com IA e foi forçada a adiar grandes atualizações da Siri, que usariam dados pessoais dos clientes para ajudar a responder a consultas. A empresa realizará sua conferência anual para desenvolvedores a partir de 9 de junho, quando planeja introduzir melhorias na Apple Intelligence, sua plataforma de IA.

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