Publicidade
Capa / Econômia

Após empréstimo de R$ 12 bilhões, Correios precisarão de mais R$ 8 bilhões em...

Confira os detalhes desta notícia atualizada.

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 05/01/2026 às 12:42 · Atualizado há 3 dias
Após empréstimo de R$ 12 bilhões, Correios precisarão de mais R$ 8 bilhões em...
Foto: Reprodução / Arquivo
Por Vinícius Cassela, Thiago Resende, g1 e TV Globo — Brasília Presidente dos Correios detalha plano de reestruturação da empresa Os Correios precisarão de mais R$ 8 bilhões em 2026 para o enfrentamento da crise financeira da empresa, afirmou nesta segunda-feira (29) o presidente da estatal, Emmanoel Rondon. Durante entrevista em que detalhou o plano de reestruturação dos Correios para os próximos anos, Rondon afirmou que a melhor forma de obtenção desses recursos está em análise e ainda será definida. Segundo o presidente da companhia, a captação dos recursos poderá se dar por meio de aportes de verbas públicas do Tesouro Nacional ou através de um novo empréstimo. Na semana passada, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras bancárias, para quitar dívidas e aliviar o caixa. A ideia inicial da estatal era a tomada de um empréstimo de R$ 20 bilhões, que não foi autorizado pelo Tesouro Nacional em função da alta taxa de juros que havia sido proposta. O plano de reestruturação da empresa prevê corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e o fechamento de mil agências – atualmente os Correios têm cerca de 5 mil unidades. A companhia vai implementar um programa de demissão voluntária (PDV) e espera, em até 2 anos, reduzir em 15 mil o número total de funcionários, o que representaria um corte de 18% na folha de pagamentos. 🔎O PDV é um pacote de incentivos oferecido por uma empresa para que seus funcionários peçam demissão por vontade própria. Diferente de uma demissão comum, o PDV funciona como um acordo. Para a empresa, é uma forma de reduzir custos ou reestruturar o quadro de funcionários sem o impacto negativo de demissões em massa. Emmanoel Rondon, que afirmou que o modelo econômico-financeiro dos Correios deixou de ser "viável". O plano de reestruturação elaborado tem o objetivo de reverter os 12 trimestres seguidos de prejuízos. A proposta detalhada nesta segunda visa recuperar as contas da empresa em 2026 para que possa voltar a ter lucro a partir de 2027. Para isso, os Correios esperam: O presidente dos Correios afirmou que "a rota precisa ser ajustada rapidamente" para evitar um possível prejuízo de R$ 23 bilhões para o ano de 2026. "Não tem mudança substancial em 2025 que vá afetar este ano. A expectativa é que ainda exista uma leve piora para 2026", afirmou Rondon. A empresa também deve buscar novas estratégias para conseguir alavancar as receitas. A expectativa é chegar a R$ 21 bilhões em 2027. Em 2024, os Correios fecharam o ano com uma receita total de R$ 18,9 bilhões, contra R$ 19,2 bilhões em 2023 e R$ 19,8 bilhões em 2022. Até setembro deste ano, os Correios viram sua receita diminuir em quase R$ 2 bilhões, no comparativo com o mesmo período de 2024. As receitas foram impactadas pela implementação do programa "Remessa Conforme", criado pelo Ministério da Fazenda em 2023. O governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas para empresas. A medida ficou conhecida como "taxa das blusinhas". Com a instituição do programa, a legislação brasileira passou a permitir que empresas de transportes façam o frete pelo Brasil de mercadorias internacionais, deixando de ser obrigatória a distribuição das encomendas junto aos Correios, como era feito até então. "O monopólio de cartas em centros urbanos ou em locais que geravam rentabilidade passou a não ser suficiente para financiar as comunicações físicas que estão ligadas a universalização do serviço postal em locais remotos ou locais que são originalmente deficitários", afirmou Rondon. A empresa ainda pretende investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com um empréstimo junto ao Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, presidido por Dilma Rousseff. A captação terá como destinação obrigatória a “automação de centros de tratamento, renovação e descarbonização da frota, modernização da infraestrutura de TI e redesenho da malha logística”. Presidente dos Correios apresenta hoje (29) o plano de reestruturação Um dos principais pontos do plano é a tomada de empréstimo de R$ 12 bilhões para quitar dívidas e aliviar o caixa da empresa. De acordo com Rondon, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Bradesco vão aportar R$ 3 bilhões cada. Itaú e Santander vão emprestar outros R$ 1,5 bilhão, cada um. Segundo os Correios, R$ 10 bilhões do crédito contratado entrarão no caixa da empresa até quarta-feira (31). A empresa espera receber o restante em janeiro de 2026. A assinatura do contrato foi publicada no sábado (27), no Diário Oficial da União (DOU), e envolve um consórcio com os bancos Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O acordo tem validade até 2040 e conta com garantia da União, o que significa que o governo federal dá respaldo à operação e reduz o risco para as instituições financeiras que concederam o crédito. O contrato prevê um prazo de carência de 3 anos e pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029. O empréstimo bilionário foi autorizado pelo Tesouro Nacional na semana passada e faz parte do plano de reestruturação dos Correios, após cinco bancos apresentarem proposta de financiamento. Com o aval do Tesouro, o governo federal deve honrar as parcelas do pagamento caso os Correios fiquem inadimplentes, ou seja, se a estatal não pagar. Trata-se de uma garantia adicional para os bancos que concederam o crédito. Durante a coletiva, o presidente dos Correios não descartou o plano da empresa de tomar mais R$ 8 bilhões emprestados de instituições financeiras. O presidente dos Correios ainda afirmou que o plano de saúde para os funcionários dos Correios, o Postal Saúde, precisa "ser completamente revisto" em função do alto custo para a empresa. Ao longo deste ano, a empresa deixou de pagar sua cota de participação no plano de saúde, o que acarretou em interrupção no atendimento em algumas redes hospitalares. A Postal Saúde também está passando por graves dificuldades financeiras. Segundo as Demonstrações Financeiras de 2024, divulgadas pela própria empresa, há risco para “continuidade operacional”. Até o ano passado, a empresa contava com 202 mil beneficiários. Essa situação ocorre porque a Postal Saúde opera sob um regime de mantenedor — ou seja, sua sustentabilidade financeira depende diretamente dos Correios. Dessa forma, os problemas econômicos da estatal impactam diretamente a operadora. Essa vulnerabilidade financeira da Postal Saúde é consequência de uma perda de liquidez, ocorrida após a devolução de R$ 221 milhões aos Correios, decorrente de uma transação frustrada. “No caso em questão, a devolução dos valores aportados e dos rendimentos nos moldes estabelecidos traz para a operadora riscos normativos e de continuidade”, diz o relatório da empresa. Atualmente, a Postal Saúde se mantém financeiramente com os repasses feitos pelos Correios e pelas coparticipações dos funcionários que utilizam o serviço. Em 2024, a operadora destinou cerca de R$ 2 bilhões para procedimentos médicos. O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, durante entrevista em Brasília — Foto: Reprodução/GloboNews De segunda a sábado, as notícias que você não pode perder diretamente no seu e-mail. Como é prisão onde Maduro está detido em Nova York: 'Inferno na Terra' ANÁLISE: Trump atropelou a coerência ao optar pela vice de Maduro O que mudou na rotina de cidade brasileira na fronteira com a Venezuela Tentativa de assalto a caminhão termina com 6 mortos no Paraná Veículo tombou sobre uma van após ser abandonado por criminosos. Anvisa libera aplicação de polilaminina em pacientes com lesão na medula

Fonte: Agências

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade