O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a superação da dependência dos combustíveis fósseis e afirmou que "interesses egoístas" imediatos preponderam sobre o bem comum de longo prazo. Segundo ele, o mundo vive um cenário de insegurança e desconfiança mútua.
"É o momento de levar a sério os alertas da ciência. É hora de encarar a realidade e decidir se teremos ou não a coragem e a determinação necessárias para transformá-la", afirmou Lula nesta quinta-feira (6), durante a Abertura da Sessão Plenária da Cúpula do Clima. O evento acontece em Belém, no Pará.
Segundo Lula, as convergências entre os líderes já são conhecidas, e o objetivo das agendas na esteira da COP30 é enfrentar as divergências. "Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de mapas do caminho para, de forma justa e planejada, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos", comentou.
A fala de Lula, porém, acontece dias após o Ibama ter concedido licença à Petrobras para perfurar um poço na Bacia da Foz do Amazonas (AP), na Margem Equatorial. Depois da decisão, na semana passada, o petista, que defende a exploração na região, disse ser impossível "abrir mão" do combustível fóssil "do dia para noite".
No discurso desta manhã, sem citar nomes, o presidente brasileiro disse que forças extremistas fabricam inverdades para obter ganhos eleitorais e "aprisionar as gerações futuras a um modelo ultrapassado" que perpetua disparidades sociais e econômicas e degradação ambiental. "Rivalidades estratégicas e conflitos armados desviam a atenção e drenam os recursos que deveriam ser canalizados para o enfrentamento do aquecimento global", comentou.
Em sua avaliação, o mundo vive hoje um cenário de insegurança e desconfiança mútua. "Interesses egoístas imediatos preponderam sobre o bem comum de longo prazo."
Lula citou dois descompassos que precisam ser superados. O primeiro é em relação à desconexão entre os salões diplomáticos e o mundo real. "As pessoas podem não entender o que são emissões ou toneladas métricas de carbono, mas sentem a poluição", citou. Já o segundo diz respeito ao "descasamento" entre o contexto geopolítico e a urgência climática.
Segundo ele, enquanto rivalidades estratégicas e conflitos armados desviam a atenção e drenam os recursos que deveriam ser canalizados para o enfrentamento do aquecimento global, a "janela de oportunidade que temos para agir" está se fechando rapidamente.
"A mudança do clima é resultado das mesmas dinâmicas que, ao longo de séculos, fraturaram nossas sociedades entre ricos e pobres e cindiram o mundo entre países desenvolvidos e em desenvolvimento", disse.