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Apoio da Itália pode abrir caminho para aprovação do acordo UE-Mercosul nesta sexta-feira;

A sinalização de apoio da Itália tende a destravar a ratificação do tratado nesta sexta-feira (9), quando representantes do bloco europeu se reúnem para bate...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/01/2026 às 00:06 · Atualizado há 1 semana
Apoio da Itália pode abrir caminho para aprovação do acordo UE-Mercosul nesta sexta-feira;
Foto: Reprodução / Arquivo

A sinalização de apoio da Itália tende a destravar a ratificação do tratado nesta sexta-feira (9), quando representantes do bloco europeu se reúnem para bater o martelo sobre sobre o texto.

A expectativa em torno da posição de Roma aumentou nesta semana, após uma fonte do bloco afirmar que o país deve se posicionar favoravelmente na reunião dos embaixadores da UE — sinal visto como decisivo para o avanço do acordo.

A possível mudança ganha peso porque ocorre após meses de hesitação do governo italiano, que vinha demonstrando preocupação com os impactos do tratado sobre o setor agrícola.

Para José Pimenta, diretor de Comércio Internacional da BMJ Consultores Associados, a Itália passou a ocupar uma posição-chave neste momento do processo. Ele classifica o país como um “grande player” na etapa final de aprovação do acordo.

Isso porque o desenho institucional da UE faz com que o voto italiano tenha peso estratégico: a ratificação exige maioria qualificada no Conselho Europeu — o que significa o apoio de países que representem ao menos 65% da população do bloco.

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul pode finalmente sair do papel. A sinalização de apoio da Itália tende a destravar a ratificação do tratado nesta sexta-feira (9), quando representantes do bloco europeu se reúnem para bater o martelo sobre sobre o texto.

A expectativa em torno da posição de Roma aumentou nesta semana, após uma fonte do bloco afirmar que o país deve se posicionar favoravelmente na reunião dos embaixadores da UE — sinal visto como decisivo para o avanço do acordo.

A possível mudança ganha peso porque ocorre após meses de hesitação do governo italiano, que vinha demonstrando preocupação com os impactos do tratado sobre o setor agrícola. (entenda mais abaixo)

Para José Pimenta, diretor de Comércio Internacional da BMJ Consultores Associados, a Itália passou a ocupar uma posição-chave neste momento do processo. Ele classifica o país como um “grande player” na etapa final de aprovação do acordo.

Isso porque o desenho institucional da UE faz com que o voto italiano tenha peso estratégico: a ratificação exige maioria qualificada no Conselho Europeu — o que significa o apoio de países que representem ao menos 65% da população do bloco.

Foi justamente esse peso político que levou a Comissão Europeia a rever o cronograma inicial. O plano era selar o pacto — que cria a maior zona de livre comércio do mundo — em dezembro de 2025, mas a articulação da França resultou em um adiamento, sob a justificativa de buscar maior proteção ao setor agrícola.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, o presidente da França, Emmanuel Macron, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se reúnem antes do encontro do G7++ durante a cúpula do G20 em Joanesburgo, na África do Sul, em 22 de novembro de 2025. — Foto: HENRY NICHOLLS/Pool via REUTERS

Na avaliação de especialistas ouvidos pelo g1, a posição da Itália está diretamente associada à forma como as chamadas “salvaguardas agrícolas” foram incorporadas ao texto final do acordo.

Esses mecanismos permitem limitar temporariamente as importações quando há risco de prejuízo aos produtores locais.

➡️ As mudanças aprovadas tornam o acionamento dessas barreiras mais simples e mais rápido. Veja:

É nesse contexto que a Itália assume hoje uma posição decisiva no processo, avalia a professora Regiane Bressan, especialista em Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo ela, o país tende a exercer um “voto de Minerva” dentro do bloco europeu.

Para que o tratado seja aprovado, é necessário reunir ao menos 15 votos que, juntos, representem 65% da população da União Europeia.

Em dezembro, após os governos dos países da UE se reúnem no Conselho Europeu para deliberar sobre a aprovação do texto, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que o país poderia apoiar o acordo desde que fossem atendidas as preocupações do setor agrícola.

Na mesma semana, os presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa, enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmando o compromisso de assinar o acordo neste mês de janeiro.

Gostaríamos de transmitir nosso firme compromisso em proceder com a assinatura do Acordo de Parceria e do Acordo Provisório de Comércio no início de janeiro, em um momento a ser acordado entre ambas as partes

— diz o documento.

Do lado brasileiro, Lula disse que a Itália não se opunha ao tratado e que as resistências decorriam da pressão de agricultores locais. O presidente, no entanto, demonstrou confiança de que o país deveria aderir ao acordo.

Meloni dizia que a distribuição de verbas para a agricultura na União Europeia estava prejudicando a Itália e que, então, ela estava com problemas com os produtores agrícolas, de modo que não poderia assinar o acordo neste momento

— relatou o presidente.

Lula se reuniu neste domingo (17) com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni — Foto: Eraldo Peres/AP

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou em comunicado nesta quinta-feira (8) que a França votará contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul.

A declaração de Macron reforça a França como o principal foco de resistência ao avanço do acordo. Ao lado do país, também se posicionam outros membros do bloco europeu, como Irlanda, Hungria e Polônia.

Entre produtores rurais da França, o acordo com o Mercosul é visto como uma ameaça, diante do receio de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a padrões ambientais diferentes dos exigidos pela UE.

O governo francês decretou nesta quarta-feira (7) a suspensão temporária das importações de alguns produtos agrícolas, em especial os provenientes da América do Sul tratados com agrotóxicos proibidos no bloco europeu.

A medida, que entrou em vigor no dia seguinte e terá duração de um ano, ainda depende de aval da Comissão Europeia.

Emmanuel Macron durante evento de líderes da União Europeia em 15 de dezembro de 2023 — Foto: Johanna Geron/REUTERS

Na outra ponta do debate, Alemanha e Espanha mantêm apoio firme ao avanço do tratado. O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, defendem que a União Europeia leve adiante o acordo firmado.

Para esses governos, o pacto pode ajudar a mitigar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos europeus e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência do bloco em relação à China, ao ampliar o acesso a minerais estratégicos e a novos mercados.

Embora a resistência se concentre no agronegócio, o tratado vai além da área agrícola e inclui regras para indústria, serviços, investimentos e propriedade intelectual, o que explica o apoio de outros setores econômicos.

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