O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reiterou nesta terça-feira (11) o plano de se candidatar à Presidência da 2026, embora esteja inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao participar de evento com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Tarcísio, que é cogitado para concorrer ao Planalto na ausência do aliado, endossou as palavras do ex-presidente, referindo-se a ele como "meu candidato", e confirmou presença no ato marcado por Bolsonaro, no Rio de Janeiro.
"Eu não aparecer como candidato [na urna] é uma negação à democracia", disse Bolsonaro, contestando os motivos que o levaram à perda do direito. Questionado por jornalistas se concordava com a fala sobre afronta à democracia, Tarcísio respondeu afirmativamente. Bolsonaro afirmou ainda que seu ex-ministro é "um brilhante gestor", mas evitou se comprometer com a indicação do nome dele como candidato em 2026, afirmando que o governador "é uma grande promessa para o futuro". "Por enquanto, eu sou candidato", declarou o ex-presidente.
Tarcísio diz que será candidato à reeleição ao governo estadual, mas é pressionado a trabalhar por uma candidatura presidencial, algo que depende do aval de Bolsonaro.
Durante a participação dos dois no evento Salão das Motopeças, na capital paulista, Bolsonaro voltou a atacar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra ele por participação na tentativa de um golpe de Estado no Brasil em 2022, que chamou de "narrativa", e negou envolvimento no caso. Ele também contestou sua inelegibilidade, argumentando que autoridades do Judiciário não podem ser responsáveis por escolher quem disputa ou não as eleições. "Não me querem disputando, porque, se eu disputar, eu levo", disse, repetindo críticas ao "sistema".
Bolsonaro disse que o evento no domingo (16) no Rio será pelo "país e pela liberdade dos reféns de 8 de janeiro". O ex-presidente demonstrou otimismo com a aprovação de um projeto de lei no Congresso Nacional para dar anistia aos condenados pelos atos golpistas e que resultaram na depredação das sedes dos três Poderes, em Brasília. "Essa injustiça, se Deus quiser, vai ser desfeita brevemente, porque quase todos os partidos de centro para a direita aceitaram votar o projeto da anistia do deputado Valadares [Rodrigo Valadares (União-SE)]." O ex-mandatário também relembrou medidas de seu governo e criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dizendo que ele "acerta quando volta atrás".
Durante o evento, Bolsonaro lançou um capacete produzido por uma empresa em que ele e o filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ) são sócios. O equipamento é feito a partir do grafeno, material em que o ex-presidente defende investimentos desde quando estava no cargo. Flávio acompanhou o pai no evento, assim como o vice-prefeito da capital paulista, Mello Araújo (PL), e deputados estaduais e federais aliados do bolsonarismo. Ao circular pela feira, Bolsonaro foi seguido por eleitores com celular em punho em busca de fotos e ouviu gritos de "volta, presidente" e "Lula ladrão".
Após o encontro, Tarcísio publicou em suas redes sociais um vídeo com Bolsonaro, referindo-se a ele pelo codinome usado pelos seguidores. "É sempre um prazer estar ao lado do mito! E o motivo hoje é pra falar que na próxima motociata teremos capacete novo! Certo, Jair Bolsonaro?", escreveu. Os dois chegaram a participar de motociatas durante o governo do ex-presidente sem usar a proteção na cabeça.