O líder do PSD na Câmara, deputado Antônio Brito (BA), afirmou a aliados que não desistirá da candidatura à presidência da Casa e apostará nas dissidências dentro dos partidos políticos para tentar se manter no jogo, apesar da declaração de apoio de PT, PL e MDB à candidatura de seu adversário, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Motta reuniu até o momento o apoio formal de partidos que representam mais de 330 deputados: Republicanos, PP, PT, PL, MDB, Podemos, PCdoB e PV. Ele é apoiado também pelo atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que costurou grande parte desses acordos para que os maiores partidos de oposição e do governo se aliassem a seu escolhido. A eleição pela sucessão do comando da Câmara e do Senado será em fevereiro de 2025.
O anúncio do PT, que até o começo de quarta-feira dizia que adiaria a decisão, pegou os deputados do PSD de surpresa. Eles se reuniram à noite com Brito, protestaram contra o governo, e ouviram do líder do partido que não desistirá da candidatura agora, que ainda faltam três meses para a eleição (em 2 de fevereiro) e há tempo para negociar.
Na conversa, Brito disse que ofereceram um ministério para que ele desistisse, sem apontar qual seria essa pasta, mas que ele recusou e insistiu em sua candidatura. A avaliação do parlamentar é que, apesar do apoio dos partidos para formação do bloco e distribuição de vagas na Mesa Diretora, ele teria maior penetração e mais votos no contato individual.
“Os acordos foram da cúpula, mas a base não aceitou”, disse o deputado Reinhold Stephanes Júnior (PSD-PR). “A bancada do PL está revoltada. Eles acham que o Lira cedeu ao governo ao mandar o projeto da anistia [aos golpistas do 8 de janeiro] para uma comissão especial e queriam negociar melhor isso, mas foram atropelados pelo líder do partido”, afirmou.
A bancada do PL tinha decidido à tarde que apresentaria um conjunto de projetos para Motta a fim de negociar o apoio, mas, à noite, minutos antes de o PT anunciar seu voto, o líder do PL na Câmara, Altineu Côrtes (RJ), foi à imprensa para avisar que o partido estava fechado com Motta e que criaria uma comissão para tratar dos projetos depois.
Para Stephanes, a decisão do PT de apoiar Motta logo após o segundo turno das eleições municipais afasta ainda mais o PSD de um eventual apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Jogaram o PSD ainda mais para a direita. Para mim, é ótimo isso”, diz.
Outras lideranças do partido, no entanto, descartam um rompimento do governo Lula, embora ponderem que, de fato, uma aliança para a reeleição do petista em 2026 é um cenário ainda mais improvável após o partido preterir o apoio ao líder do PSD na eleição da Câmara.
O Valor tentou contato com Brito, mas não recebeu retorno até a publicação dessa reportagem.
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