"Nosso cérebro tem viés de positividade, de esquecimento das notícias ruins, em um mecanismo de autoproteção. É o oposto ao trauma." Esse postulado de psicologia guiou o longo voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator na Primeira Turma da corte da acusação por golpismo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, pela aceitação da denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República (PGR). Moraes admitiu, de modo indireto, que a memória da opinião pública em relação aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 está se transformando.
Pelo viés de positividade, as notícias ruins para a psiquê coletiva vão se apagando e a narrativa que paulatinamente se impõe normaliza e relativiza fatos como a depredação da sede dos Três Poderes e a conduta do então presidente Jair Bolsonaro e seus assessores implicados na trama investigada. Esse risco foi detectado por Moraes em seu voto, e boa parte de sua argumentação na manhã desta quarta-feira teve como alvo o público externo, e não o restrito aos autos.
O relator exibiu cinco minutos de vídeo de cenas do 8 de janeiro. "O 8 de janeiro foi uma notícia péssima. Não houve um domingo no parque. Ninguém estava passeando", frisou o ministro. Mais adiante no seu voto, procurou resgatar a importância da circulação em gabinetes oficiais, meios partidários e na casa de autoridades de uma minuta para institucionalizar a ruptura institucional, a chamada "minuta do golpe".
"Parecia ser normal todo mundo dar palpitinho sobre minuta do golpe", afirmou Moraes, como se sacudisse a audiência para despertar para uma anormalidade gritante.
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