A Google, pertencente à Alphabet, afirmou nesta segunda-feira (13) que seria “extremamente difícil” para a Austrália aplicar uma lei que proíbe pessoas com menos de 16 anos de usarem redes sociais, alertando que a iniciativa do governo não tornará as crianças mais seguras online.
Governos e empresas de tecnologia em todo o mundo estão acompanhando de perto a Austrália, que, em dezembro, se tornará o primeiro país a bloquear o uso de redes sociais por pessoas com menos de 16 anos.
As plataformas de mídia social não serão obrigadas a realizar procedimentos de verificação de idade; em vez disso, será solicitado que usem inteligência artificial e dados comportamentais para inferir de forma confiável a idade dos usuários.
Em uma audiência parlamentar sobre regras de segurança on-line nesta segunda-feira (13), Rachel Lord, gerente sênior de assuntos governamentais do YouTube na Austrália, disse que o programa do governo tinha boas intenções, mas poderia ter “consequências não intencionais”.
“A legislação não apenas será extremamente difícil de aplicar, como também não cumpre sua promessa de tornar as crianças mais seguras on-line”, disse Lord.
Quando questionada se a Google estava pressionando autoridades em Washington para levantar o assunto quando o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, reunir-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington na próxima semana, Stef Lovett, diretora de assuntos governamentais da Google Austrália, disse que seus colegas norte-americanos estavam cientes dos problemas que a empresa enfrenta na Austrália.
Em julho, a Austrália adicionou o YouTube à lista de sites abrangidos pela legislação — revertendo uma decisão anterior de isentá-lo devido à sua popularidade entre professores — após reclamações de outras empresas de tecnologia. A Google sustenta que o YouTube é um site de compartilhamento de vídeos, não uma plataforma de mídia social.
“Uma legislação bem elaborada pode ser uma ferramenta eficaz para complementar os esforços da indústria em manter as crianças mais seguras online”, disse Lord. “Mas a solução para manter as crianças seguras on-line não é impedi-las de estarem on-line.”
Em vez disso, ela afirmou que ferramentas de segurança on-line devem ser usadas para proteger as crianças e que os pais devem ter o controle para orientar suas experiências na internet.
A Austrália, preocupada com o impacto das redes sociais na saúde mental dos jovens, aprovou sua emenda de segurança on-line em novembro de 2024. A medida concedeu um ano para que as empresas se adequassem, e elas enfrentam o prazo de 10 de dezembro para desativar as contas de usuários menores de idade.