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Aliados de Tarcísio veem com cautela alinhamento com Trump e defendem negociação para que EUA recue de tarifaço | Política

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 10/07/2025 às 22:54 · Atualizado há 3 dias
Aliados de Tarcísio veem com cautela alinhamento com Trump e defendem negociação para que EUA recue de tarifaço | Política
Foto: Reprodução / Arquivo

Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), veem com cautela o endosso do governo paulista a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, depois do anúncio do aumento de 50% da tarifa a produtos brasileiros. Na avaliação de conselheiros do governador, Tarcísio precisa evitar a disputa ideológica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste momento, para não antecipar o debate eleitoral de 2026, e deve defender a negociação para que o governo dos EUA recue do tarifaço.

Empresários e produtores de São Paulo estão preocupados com o impacto sobre as exportações e os prejuízos econômicos, após o anúncio feito por Trump.

A avaliação de integrantes do governo paulista é que Tarcísio deve ser prudente em relação aos acenos a Trump e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), vistos como bandeiras eleitorais. "Quando mais Tarcísio se colocar como candidato ou quanto mais o colocarem nessa postura de candidato, pior para ele. Vai enfrentar uma turbulência maior e todos os canhões vão mirar nele", disse um interlocutor do governador. Tarcísio é cotado como eventual herdeiro político de Bolsonaro para disputar a Presidência em 2026. O ex-presidente está inelegível até 2030 e é réu no Supremo Tribunal Federal sob acusação de crimes contra a democracia. Se for condenado, poderá ser preso.

Aliados de Tarcísio avaliam que é possível reverter o tarifaço se o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não embarcar na disputa ideológica com a gestão Trump. "O Itamaraty tem que fazer prevalecer a posição de que o Brasil é um país moderado, negociador", afirmou um político próximo ao governador. Integrantes do governo estadual afirmaram ainda que uma eventual retaliação do governo brasileiro a Trump "será um desastre".

Na manhã desta quinta-feira (10), o governador disse que está em contato com a Embaixada dos EUA no Brasil, mas afirmou que cabe ao governo federal liderar a negociação "com maturidade" e "deixar de lado o revanchismo'". Em acenos ao bolsonarismo, voltou a culpar o presidente Lula pelo tarifaço e fez cobranças ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas não se manifestou sobre a citação feita por Trump a Bolsonaro na carta em que divulgou o aumento da tarifa aos produtos brasileiros.

Horas depois da declaração feita à imprensa na capital paulista, Tarcísio embarcou para Brasília para um encontro com o ex-presidente Bolsonaro. Nas redes sociais, Tarcísio endossou nesta semana a defesa feita por Trump a Bolsonaro e as críticas ao Judiciário brasileiro. Hoje, voltou a cobrar o STF e afirmou que "qualquer candidato de centro-direita" dará um indulto ao ex-presidente.

Um dia depois do anúncio do tarifaço, os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), fizeram críticas à medida e buscaram se distanciar das ações de Trump. Leite e Zema também são cotados como presidenciáveis para 2026.

“Lamento que se observe uma tentativa de interfêrencia dessa natureza no nosso país”, disse Leite, em entrevista à imprensa no Rio Grande do Sul, reproduzida em sua página no Instagram. O governador criticou a “polarização política” entre Lula e Bolsonaro. “Está mais uma vez demonstrando que fere interesses do país”, afirmou.

Zema criticou a medida anunciada por Trump como “errada e injusta”. “Esses erros e essas injustiças não devem ser consertados com mais injustiças e erros” , disse o governador de Minas, em vídeo publicado no Instagram.

Tarcísio de Freitas — Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

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