O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, concordaram nesta sexta-feira sobre a importância “do sistema internacional de comércio baseado em regras” e do fortalecimento da Organização Mundial de Comércio (OMC). Ambos participaram de videoconferência bilateral realizada a pedido de Wentao, em meio à escalada da guerra tarifária entre Estados Unidos e China e à imposição de tarifas de importação pelo governo americano também para dezenas de outros países.
Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço (Mdic) afirma que Alckmin e Wentao “trocaram impressões sobre as alterações tarifárias em curso no cenário internacional”. Os dois ministros presidem a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação.
“[Ambos] convergiram na defesa do multilateralismo e do sistema internacional de comércio baseado em regras, com o fortalecimento da Organização Mundial do Comércio”, diz o comunicado.
Segundo a pasta, ambas as partes abordaram a “cooperação econômica e comercial” que têm entre si, avaliando “as oportunidades e complementariedades das duas economias”.
“A China é importante parceiro econômico do Brasil e os dois países mantém diálogo estratégico”, diz o Mdic, destacando que Alckmin e Wentao ainda “discutiram a próxima reunião de ministros” de Comércio dos Brics, que será realizada no mês que vem em Brasília. O Brics é atualmente presidido pelo Brasil.
Nesta sexta-feira, a China aumentou de 84% para 125% a tarifa de importação sobre produtos dos Estados Unidos. O aumento foi uma retaliação à elevação realizada pelo presidente americano Donald Trump mais cedo nesta semana da tarifa de importação que incide sobre produtos exportados pela China. Com a nova alta, a tarifa sobre produtos chineses desembarcados nos Estados Unidos alcançou 145%.
No caso do Brasil, as tarifas impostas pelo governo americano ficaram em 25% para aço, alumínio e bens do setor automotivo, além da cobrança “recíproca” de 10% para demais bens.
A China é o principal parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o fluxo de comércio entre as duas partes somou US$ 158 bilhões, com as exportações brasileiras somando US$ 94,7 bilhões e as importações de produtos chineses atingindo US$ 63,6 bilhões.