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Agências de checagem de fatos que operam no Brasil criticam decisão da Meta | Empresas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 08/01/2025 às 15:10 · Atualizado há 1 semana

Após Mark Zuckerberg anunciar, na terça-feira (7), em uma sequência de posts no Threads, o fim do programa de verificação profissional de fatos da Meta, agências de checagem parcerias da "big tech" nesse trabalho expressaram preocupação sobre a mudança de postura da empresa, dona de redes sociais importantes como Facebook, Instagram e WhatsApp. O programa, ativo desde 2016, conta com a colaboração de veículos como AFP, Agência Lupa, Aos Fatos, Estadão Verifica, Reuters e UOL Confere.

Ao Valor, a diretora-executiva do Aos Fatos, Natália Leal, destacou a importância do trabalho dos checadores no combate à desinformação e na proteção da liberdade de expressão. "Vemos com preocupação a decisão da Meta de suspender a parceria com checadores nos EUA, já que os esforços de contenção de desinformação foram recorrentemente apontados como bem-sucedidos pela empresa aos seus parceiros", afirmou Natália.

Ela acrescentou que "causa espécie também a desqualificação do trabalho de jornalistas e organizações que fazem checagem de fatos com parâmetros éticos transparentes e abordagem equilibrada." Para Leal, o trabalho de checagem de fatos "é instrumental para a liberdade de expressão. Apenas com informações factualmente verificadas é possível tomar decisões conscientes sobre temas tão urgentes quanto saúde pública e diversos tipos de violência."

A Agência Lupa, em editorial, afirmou que a mudança já era esperada, visto que a Meta havia descontinuado ferramentas e restringido o acesso a relatórios de impacto há meses. A Lupa alertou, ainda, para a ineficácia do programa de Notas da Comunidade, semelhante ao adotado pelo X e que a Meta anunciou que vai adotar.

"A Lupa já mostrou, por exemplo, que somente 8% dessas notas da comunidade em português no X chegam aos usuários", sinalizou o editorial. Nesse modelo usado pela rede social de Elon Musk, os próprios usuários definem o que é informação falsa.

Alinhamento com Donald Trump

"Tememos que a Meta tenha dado um passo no rumo errado, em nome de um alinhamento político em território americano e de uma busca por ainda mais lucro. Não foi à toa que Zuckerberg mencionou o presidente americano, Donald Trump, no vídeo publicado nesta manhã. Não à toa, o anúncio da Meta saiu exatamente no dia seguinte à certificação do republicano pelo Congresso americano", completou a Lupa.

Em reportagem, o Estadão Verifica detalhou como as checagens ajudam a mitigar a desinformação nas redes: "Se você já leu nas redes sociais um alerta de que determinada postagem é falsa ou enganosa, agradeça a um fact-checker. Todos os dias, jornalistas do Estadão Verifica e de outros veículos brasileiros se dedicam a tentar reduzir os efeitos maléficos das ondas de desinformação que se espalham graças a algoritmos que privilegiam o engajamento e conteúdos controversos."

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), responsável pelo Projeto Comprova, enfatizou que os checadores profissionais não removem conteúdos das plataformas, ao contrário do que foi sugerido por Zuckerberg.

"Eles seguem um método que busca apontar erros factuais e informações enganosas que podem causar dano ao direito dos cidadãos de receberem informações verificadas. A ação voluntária de usuários das redes não é capaz de substituir a checagem profissional de fatos, principalmente em um cenário em que a poluição do ambiente informativo provoca danos evidentes à democracia, especialmente com o avanço de ferramentas como a inteligência artificial", afirmou a Abraji.

O Comprova, que reúne 42 organizações jornalísticas, combate a desinformação sobre políticas públicas, saúde e eleições, sem financiamento ou participação no programa descontinuado da Meta.

Nesta terça-feira (7), o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) já havia expressado preocupação sobre as mudanças. Segundo nota divulgada, essas alterações "afrontam iniciativas regulatórias legítimas" e podem impactar negativamente o cotidiano dos usuários, expondo-os a fraudes e informações enganosas que prejudicam ações como compras on-line e a busca por informações de saúde.

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