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Aeris tem prejuízo de R$ 833 milhões no 4º trimestre de 2024 | Empresas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 25/03/2025 às 22:01 · Atualizado há 3 dias
Aeris tem prejuízo de R$ 833 milhões no 4º trimestre de 2024 | Empresas
Foto: Reprodução / Arquivo

A fabricante de pás eólicas Aeris informou, na noite desta terça-feira (25), um prejuízo de R$ 833 milhões no quarto trimestre de 2024 — ante uma perda de R$ 63,9 milhões registrada no mesmo período de 2023.

O resultado foi impactado principalmente por um efeito de “impairment” (baixa contábil) de R$ 751 milhões, decorrente da perda de contratos com três grandes clientes: Siemens Gamesa, Nordex e Weg, concentrada no último trimestre. No acumulado do ano, o prejuízo líquido somou R$ 934,1 milhões.

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O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) no período foi negativo em R$ 1,6 milhão nos últimos três meses do ano, com uma margem de -0,8%.

No consolidado de 2024 o Ebitda foi de R$ 138,8 milhões, representando uma margem de 9,2%.

Entre outubro e dezembro, a receita líquida apresentou uma redução de 42,5% ante o reportado em igual período do ano anterior, para R$ 211,4 milhões. Já na comparação com o ano de 2023, a redução foi de 46,5%, para R$ 1,51 bilhão.

José Azevedo, diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, explica que diante do desaceleramento do setor eólico no Brasil — motivado pela escassez de novos contratos no mercado livre, alto custo de capital e baixo PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) —, a Aeris viu sua produção encolher e precisou descomissionar (desmantelar) quatro linhas de produção e desativar outras três.

A aposta da companhia é na retomada do setor só a partir de 2026, impulsionada por políticas públicas e leilões de energia eólica que estão sendo discutidos com o governo. Com o mercado doméstico enfraquecido, a empresa pretende direcionar esforços para o mercado internacional, especialmente os Estados Unidos e a América Latina.

“Com a redução de novos projetos, nossos clientes não conseguem vender aerogeradores. Começamos a olhar de forma mais proativa a questão da exportação, até porque antes não tínhamos capacidade para atender a demanda”, explica.

As exportações, que até recentemente eram quase irrelevantes no faturamento da companhia, passaram a representar 31,8% da receita no 4º trimestre. Com o novo mandato do presidente americano Donald Trump, a aposta do mercado é que os EUA terão um recuo na transição energética e demandarão menos equipamentos.

Azevedo avalia que ainda é cedo para afirmar isso e ressalta que o mercado americano tem demanda interna suficiente para sustentar o crescimento. A Aeris também reforçou sua atuação no segmento de serviços e manutenção, que respondeu por 26% da receita no último trimestre.

Outro desafio em 2024 foi a estrutura de capital. A dívida líquida da companhia quase dobrou, saltando para R$ 1,18 bilhão, com alavancagem de 8,6 vezes de acordo com o indicador de dívida líquida/Ebitda, valor considerado muito elevado. A empresa está em processo de renegociação das dívidas, com expectativa de concluir os acordos até o fim do 1º trimestre de 2025.

A fabricante de pás eólicas acertou um “standstill” (interrupção momentânea de pagamentos) com os debenturistas e está discutindo o mesmo com os bancos credores para uma assembleia para o dia 28 de março. A entrada de um novo sócio é vista como uma possível solução para a companhia. A chinesa Sinoma Blade chegou a apresentar uma proposta de aquisição da Aeris, mas as negociações não avançaram. Ainda assim, o executivo não descarta a chegada de um novo parceiro. “Tudo depende de quanto esse investidor está disposto a pagar”, afirma.

— Foto: Divulgação

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