No mesmo dia em que a oposição atuou para obstruir os trabalhos do Congresso, um dos advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Paulo Amador da Cunha Bueno, visitou o Senado para conversar com parlamentares. Seu cliente teve a prisão domiciliar decretada nessa segunda-feira (4) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Questionado por jornalistas, Cunha Bueno disse que foi ao Congresso para conversar com senadores com quem ele tem proximidade para entender as repercussões políticas decorrentes da prisão domiciliar de Bolsonaro e disse que foi pego de "surpresa" pela obstrução anunciada pela oposição. Um dos parlamentares com quem ele conversou foi o líder da oposição no Congresso, Rogério Marinho (PL-RN).
A oposição anunciou nesta terça-feira uma obstrução das pautas nos plenários da Câmara e do Senado. Os parlamentares da oposição ocuparam as Mesas Diretoras dos plenários de forma a impedir que as votações aconteçam.
A obstrução é um mecanismo previsto pelo regimento do Congresso para adiar ou evitar a votação de um determinado projeto. Há regras para o instrumento ser colocado em prática, como ser anunciado pelo líder do partido durante uma sessão, mas não inclui ocupar os lugares das mesas da Câmara ou do Senado.
Sobre o ato da oposição, o advogado do ex-presidente disse que se concentra nos aspectos jurídicos relacionados à ação penal que acusa Bolsonaro de liderar uma trama golpista e tentar dar golpe de Estado. Ele reconheceu, entretanto, que esse processo contra o seu cliente tem influência da esfera política.
Cunha Bueno também se recusou a opinar sobre as estratégias da oposição de reagir à prisão domiciliar de Bolsonaro, como a pressão pelo impeachment de Moraes, que é o relator das ações penais relativas à tentativa de golpe de Estado e à abolição do Estado Democrático de Direito.
Alguns dos motivos utilizados por Moraes para tomar a decisão de ontem foi uma publicação feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), contendo um vídeo de Bolsonaro falando ao telefone com participantes das manifestações pela anistia em Copacabana.
O advogado negou que tenha ido ao Congresso para orientar juridicamente os parlamentares sobre a situação do ex-presidente e afirmou que eventuais pedidos de visitas não são de responsabilidade da defesa de Bolsonaro.