Gonet sustenta que o plano golpista só não foi à frente anteriormente porque, no dia 15 de dezembro de 2022, os operadores do plano, com todos os preparativos completos, não ultimaram o combinado "por não haverem conseguido, na última hora, cooptar o Comandante do Exército".
"A frustração dominou os integrantes da organização criminosa que, entretanto, não desistiram da tomada violenta do poder nem mesmo depois da posse do Presidente da República eleito. As campanhas pela intervenção militar prosseguiram com o alento e orientação da organização", escreve Gonet.
Segundo ele, a organização criminosa, então, "incentivou a mobilização do grupo de pessoas em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília, que pedia a intervenção militar na política".
Ao narrar os ocorridos golpistas na capital federal naquela data, Gonet ainda assinala que o episódio "foi fomentado e facilitado pela organização denunciada, que assim, por mais essa causa, deve ser responsabilizada por promover atos atentatórios à ordem democrática, com vistas a romper a ordem constitucional, impedir o funcionamento dos Poderes, em rebeldia contra o Estado de Direito Democrático".
Bolsonaro e outras 33 pessoas foram denunciadas na noite desta terça-feira (18) por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado.
Segundo o PGR, a organização tinha como líderes o então presidente da República e o seu candidato a vice em 2022, Walter Braga Netto. "Aliados a outras pessoas, dentre civis e militares, eles tentaram impedir, de forma coordenada, que o resultado das eleições presidenciais de 2022 fosse cumprido", diz trecho do documento que foi encaminhado ao STF.