A gestora suíça focada em ativos digitais 21Shares bate o sino da B3 nesta quinta-feira (25) para comemorar sua entrada oficial no Brasil com seis BDRs de ETPs (Produtos Negociados em Bolsa).
A empresa administra mais de US$ 11 bilhões globalmente e oferece 50 ETPs de criptoativos na Europa, além de estar junto da Ark Invest no ETF ARKB, um dos 11 primeiros fundos negociados em bolsa de bitcoin à vista aprovados nos Estados Unidos em 2024.
Em entrevista ao Valor, Duncan Moir, presidente da 21Shares, afirma que a chegada ao Brasil ocorre porque o mercado do país está pronto para mais produtos expostos a cripto na bolsa de valores. Além disso, ele acredita que a maior adoção global de criptoativos torna o momento atual o melhor possível para uma expansão internacional focada em investidores de bolsa.
Ao contrário dos EUA, que foi ter seus primeiros ETFs cripto em 2024, o Brasil já tem fundos do tipo desde 2021, quando a Hashdex lançou o HASH11. Moir diz que entende a diferença e não espera uma demanda explosiva já no primeiro dia de negociação como a que o ARKB teve em 2024.
“Vai levar tempo, com certeza. Não será algo imediato. Mas estamos felizes em construir nossa reputação, conquistar a confiança dos investidores e educá-los”, afirma o presidente da gestora. Ele conta que na Europa demorou sete anos para a gestora chegar aos US$ 11 bilhões sob gestão.
Os BDRs lançados amanhã incluem cinco fundos focados exclusivamente em uma criptomoeda específica e um que acompanha um índice de cesta de ativos. Os focados são o AADA, que é 100% exposto a cardano (ADA); o AETH, que acompanha o ether (ETH); ASOL, da solana (SOL); AXRP, de XRP; e o CBTC, de bitcoin. Já o produto de cesta de ativos é o HODL, que foi lançado em 2018, sendo o primeiro ETP da 21Shares e o primeiro fundo negociado em bolsa de criptomoeda do mundo. Ele acompanha o desempenho das cinco maiores moedas digitais em valor de mercado (bitcoin, ether, XRP, BNB e solana).
No Brasil, a 21Shares aposta em baixas taxas de administração para popularizar seus fundos. O CBTC, por exemplo, chega com uma taxa de 0,21%. A título de comparação, os fundos BITH11 da Hashdex, e QBTC11, da QR Asset, que também entregam 100% de exposição ao bitcoin no Brasil, cobram taxas de 0,7%.
A gestora suíça também terá no Brasil uma parceria com o BTG Pactual, que atuará como formador de mercado para os BDRs. Por ora, a empresa não anunciou nenhuma parceria para distribuição dos fundos, mas não descarta buscar por isso no futuro. “Na distribuição, ainda estamos conversando com vários grupos para encontrar o equilíbrio certo”, diz Moir.
Os produtos financeiros da 21Shares são chamados de ETPs por conta da regulamentação europeia, embora sejam considerados ETFs em outras jurisdições.