A escola em que estudei a vida toda tinha um lago sintético pequeno numa terreiro. Com seis anos, minha maior diversão era, depois do almoço, surrupiar alguns copos plásticos do refeitório e ir com meus amigos procurar girinos. A gente enchia os copos de chuva do lago, deixava os girinos nadando um pouco e depois devolvia eles para seu habitat zero oriundo, contentes em passar alguns minutos observando aqueles futuros sapos e rãs.
Que bom que eu estudei na zona sul de São Paulo, e não na Tanzânia. Lá, no leste da África, cientistas recentemente descobriram três espécies de rãs-árvores que não passam pela lanço de girino. As fêmeas dessas espécies dão à luz em terreno firme, e não na chuva, a dúzias de rãs minúsculas, medindo poucos milímetros, pulando a tradicional tempo larval aquática da maioria dos anfíbios.
Anfíbios que não passam pelas etapas de botar ovos e viver porquê larva são extremamente raros. Entre quase 8 milénio espécies de sapos e rãs, menos de 1% deles são vivíparos (ou seja, que se desenvolvem dentro do corpo materno, e não porquê larva ou ovo).
Os pesquisadores imaginam que esse comportamento vasqueiro pode ter se originado porquê uma adaptação para sapos e rãs sem chegada fácil a chuva – mais um exemplo da variedade e flexibilidade evolutiva dos anfíbios.
As três espécies recém-descobertas de rãs-árvore (que passam a maior secção de sua vida em árvores) foram descritas e divulgadas num cláusula publicado na revista Vertebrate Zoology, assinado por pesquisadores ligados a universidades da Europa e da África.
Porquê dividiram as novas espécies
As rãs que se reproduzem na chuva podem botar até tapume de 20 milénio ovos de uma só vez, e esse ciclo reprodutivo pode sobrevir com bastante frequência, às vezes a cada duas semanas. Esses ovos acabam se desenvolvendo e virando girinos. Só uma minoria deles sobrevive até o ponto de trespassar da chuva.
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No caso dos anfíbios vivíparos, a reprodução é mais enxuta: os ovos são fertilizados internamente, e a mamãe rã dá à luz a respeito de 40 a 60 rãzinhas que medem poucos milímetros. Os filhotes maiores são os que têm mais chances de crescer e viver muito nas árvores da Tanzânia. Não é porquê se fossem crescer muito: o Nectophrynoides viviparus, primeira espécie de anfíbio vivíparo identificada, em 1905, chega a 37 milímetros de comprimento.
Antes dessa pesquisa, as três espécies de rãs vivíparas eram classificadas sob um só nome: N. viviparus, a primeira espécie identificada. Porém, com uma estudo mais aprofundada das características físicas, de gravações sonoras do coaxar das rãs e dos dados genéticos de centenas de espécimes abrigados em cinco museus europeus, eles determinaram a novidade subdivisão de três espécies dentro do gênero Nectophrynoides, que abriga mais algumas espécies de anfíbios vivíparos.
As três espécies – diferenciadas a partir de detalhes nas pernas e dedos, no DNA e nas vocalizações das rãs – foram chamadas de N. luhomeroensis, N. uhehe e N. saliensis.
Conhecendo as espécies com mais detalhes, é verosímil trabalhar de forma mais direcionada na conservação dessas rãs. Populações selvagens de algumas espécies de Nectophrynoides estão diminuindo, vulneráveis ao desmatamento e à crise climática. Uma das espécies, N. asperginis, já está extinta na natureza. Mais estudos ainda são necessários para entender a ecologia desses anfíbios vivíparos para informar estratégias de conservação.
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