Os animais de estimação podem ajudar os humanos a se sentirem menos sozinhos e estressados. Os melhores amigos do homem até fazem parte de protocolos de tratamento psicológico. Agora, uma nova pesquisa verificou que seu gato ou cachorro também pode te ajudar a envelhecer melhor.
O exercício que esses pets demandam não é só levar para caminhar: o cérebro também entra na jogada. A companhia de um amigo de quatro patas foi associada a um ritmo mais lento de declínio cognitivo num estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Genebra, na Suíça. O relacionamento com gatos e cachorros potencialmente ajuda a preservar funções cerebrais específicas que são afetadas pelo envelhecimento.
A pesquisa, liderada pela cientista Adriana Rostekova, encontrou benefícios cerebrais diferentes de um animal para o outro. Donos de cachorros conseguiam manter a memória mais afiada, enquanto donos de gatos tiveram um declínio mais lento na fluência verbal em comparação a quem não tinha um pet. Mas nem todo animal de estimação é um aliado da longevidade: segundo o estudo, peixes e aves não têm relação significativa com declínio cognitivo.
O estudo foi feito a partir dos dados do Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe (em português, “pesquisa de saúde, envelhecimento e aposentadoria na Europa”). Esse banco de dados armazena os resultados de diversas entrevistas realizadas sobre saúde, condição socioeconômica e redes familiares de 28 países da Europa e de Israel.
Com esse banco de dados robusto, a equipe de Rostekova examinou a relação entre ter um gato ou cachorro e declínio cognitivo, durante um período de 18 anos, com adultos de 50 anos ou mais. Os resultados foram divulgados num artigo publicado no periódico Scientific Reports.
Continua após a publicidadePor que não peixes e aves?
As vantagens de ter um pet para a saúde cognitiva foram associadas a gatos ou cachorros – os animais de estimação mais populares – mas não se repetem nos casos de outros pets. Rostekova tem algumas hipóteses sobre por que isso acontece.
O tempo de vida curto de um peixe ou pássaro pode potencialmente limitar o nível de conexão emocional que alguém é capaz de desenvolver com o animal
— a cientista explica em entrevista ao jornal britânico The Guardian. Além disso, o barulho de um pássaro durante a noite pode afetar a qualidade de som do dono, e esses problemas para dormir já foram associados a declínio cognitivo.
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Continua após a publicidadeTambém é possível que a interação com cachorros e gatos, geralmente mais ativos e companheiros do que outros pets, promova uma estimulação cognitiva única. Animais que não demandam tanta participação e atenção, como é o caso de um peixe, não exercitam o cérebro da mesma forma.
Essa não é a primeira pesquisa a relacionar ter um pet com benefícios cognitivos. Em 2022, pesquisadores mostraram que a interação com um cachorro pode aumentar a ativação do córtex pré-frontal do cérebro e fortalecer processos de atenção e emoção.
O aumento de atividade do córtex pré-frontal também aparece num estudo conduzido com gatos. Os cientistas relacionaram os resultados ao temperamento difícil de prever dos felinos.
Continua após a publicidadeNesse novo estudo, o diferencial está em perceber benefícios cognitivos diferentes de acordo com a espécie de animal. É um bom indício para pensar em saúde na terceira idade como algo que vai muito além de exames e hospitais. Agora, pesquisas futuras podem focar em experimentos específicos para entender como os gatos e cachorros, de formas bem diferentes, ajudam a retardar o envelhecimento.
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