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Robô Perseverance detecta “mini-relâmpagos” em Marte pela primeira vez; ouça

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 01/12/2025 às 18:00 · Atualizado há 2 dias
Robô Perseverance detecta “mini-relâmpagos” em Marte pela primeira vez; ouça
Foto: Reprodução / Arquivo

“Existe vida em Marte?”, indagou uma vez David Bowie. Uma pergunta também intrigante é: existem relâmpagos em Marte?

Faz anos que cientistas suspeitam da existência de atividade elétrica no Planeta Vermelho, mas só agora a confirmação chegou. O robô Perseverance, da Nasa, captou o som de relâmpagos em Marte, fazendo dele o quarto planeta do Sistema Solar a ter atividade elétrica confirmada – além da Terreno, Saturno e Júpiter também integram o grupo eletrizado.

Mas os raios marcianos não são iguais aos luminosos e imponentes relâmpagos terrestres. Na verdade, trata-se de pequenas e discretas descargas elétricas, numa graduação de centímetros, parecidas com faíscas e apelidadas de “mini-relâmpagos”. Infelizmente, não há registros visuais deles: a detecção foi feita por meio de áudios.

Choque marciano

Na Terreno, relâmpagos se formam quando partículas de gelo e chuva nas nuvens de chuva acumulam pujança e ficam eletrizadas ao raspar umas nas outras, da mesma forma que uma varíola acumula pujança estática quando é esfregada. Esse processo é chamado de efeito triboelétrico.

Por décadas, cientistas debatiam se um pouco parecido acontecia em Marte: partículas de poeira e areia, que são abundantes na atmosfera marciana, poderiam amontoar estática ao raspar umas nas outras durante ventanias e tempestades de areia. No entanto, o fenômeno nunca foi detectado diretamente, apesar de tentativas anteriores.

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Agora, uma resposta ao mistério foi verosímil graças ao robô Perseverance, da Nasa, que está explorando a superfície marciana desde 2021. O rover não tem um aparelho específico para detectar atividade elétrica, mas carrega consigo um microfone que registra periodicamente os sons do nosso vizinho cósmico.

Foi usando esses áudios que cientistas detectaram indícios de eventos elétricos. A invenção foi descrita em detalhes num cláusula do periódico Nature.

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A equipe analisou 28 horas de áudio em procura de pistas acústicas condizentes com eletricidade, e identificou 55 eventos do tipo. Em 54 dessas detecções, os ventos estavam intensos – correspondendo assim com o padrão que prevê que as ventanias são essenciais para eletrificar as partículas de poeira.

Você pode ouvir o fenômeno no áudio aquém, captado pela Perseverance. O “relâmpago” é o estalido mais cume que ocorre aos 10 segundos; os outros sons são o vento e o estrondo das partículas batendo no robô.

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Diferentemente da Terreno, Marte tem unicamente “mini-raios”, mais parecidos com pequenas faíscas. Se um astronauta tivesse contato com eles, não seria inevitável: na verdade, a sensação provavelmente seria parecida com a de levar um choque ao tocar na maçaneta.

No nosso planeta, esses mini-relâmpagos também podem sobrevir com partículas de areia durante ventanias, mormente em desertos, mas são mais raros e com descargas quase insignificantes. Em Marte, porém, a atmosfera fina torna-os mais frequentes, já que exige menos estática acumulada para gerar as faíscas.

Além da Terreno, Saturno, Júpiter e agora Marte, há suspeitas de que Netuno e Urano também tenham atividade elétrica.

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