Publicidade
Capa / Curiosidades

Ovelha-folha: o misterioso ser que é metade animal, metade planta

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 10/01/2025 às 10:20 · Atualizado há 52 minutos
Ovelha-folha: o misterioso ser que é metade animal, metade planta
Foto: Reprodução / Arquivo

A Costasiella kuroshimae, conhecida pelos internautas como “ovelha-folha”, é real. Mesmo parecendo uma invenção sem pé nem cabeça, caso do lendário boimate (um suposto híbrido que surgiu do cruzamento de um boi e um tomate), essa lesminha existe de verdade.

O animal foi registrado pela primeira vez em 1993, perto da ilha japonesa de Kuroshima. Aliás, são nas águas marinhas do Japão, Indonésia e Filipinas que esse bichinho prospera – faz sentido se pensarmos que ele parece vir direto dos rascunhos do Studio Ghibli

Essas lesmas fazem parte da subclasse dos opistobrânquios e moram nas algas que pastam (as Avrainvillea), entre 9 e 18 metros de profundidade. Com até 10 milímetros de comprimento e uma expectativa de vida de um ano, esse animal tem uma outra característica ainda mais difícil de acreditar do que sua aparência: ele sobrevive com a luz solar. 

Compartilhe essa matéria via:
WhatsAPP Telegram

As ovelhas-folha não dependem exclusivamente da alimentação tradicional, pois conseguem realizar fotossíntese. Quer dizer, não são elas as responsáveis pelo processo, mas sim algas que estabeleceram uma relação simbiótica com as Avrainvillea. Ou seja: ambas se beneficiam da união.

Funciona assim: as ovelhinhas comem as algas e absorvem os cloroplastos em seus tecidos. Os cloroplastos são as organelas verdinhas das plantas, cheias de clorofila e local onde realiza-se a fotossíntese – é por isso também que as ovelhas são verdes e conseguem se camuflar no habitat delas.

Esse processo de absorção é chamado cleptoplastia. É assim que as lesmas funcionam como painéis solares: a energia pode ficar armazenada em suas ceratas (que são estruturas equivalentes as brânquias nessas lesmas), por até 10 dias. 

Continua após a publicidade
<span class="hidden">–</span>Wikimedia Commons/Reprodução

Para a BBC, Miguel Azcuna, professor assistente da Universidade Estadual de Batangas (Filipinas), onde atua como chefe do Centro de Passagem da Ilha Verde para Pesquisa Oceanográfica e Ciências Aquáticas, explica que é como se “você tivesse comido uma salada e mantivesse o cloroplasto em seu sistema digestivo, então você só precisa se colocar no sol para produzir energia. É conveniente para a sobrevivência.”

Os bichinhos também utilizam os açúcares produzidos pelos cloroplastos como uma segunda fonte de alimentação. Ou seja, eles são animais híbridos, um tipo de animal-planta (praticamente um Pokémon).  

Continua após a publicidade

A biologia dessas ovelhas é doideira: olhinhos fofos no meio do “rosto”, duas “orelhinhas” (são órgão sensoriais, chamados de rinóforos) e a cerata, estrutura anatômica que carregam nas costas e aumenta os fatores extraordinários desse bichinho. 

  • Relacionadas
  • CiênciaEsta espécie de musaranho consegue encolher o próprio cérebro. Saiba por quê5 jan 2025 - 10h01
  • CiênciaExpedição no Peru descobriu 27 novas espécies, incluindo um rato anfíbio20 dez 2024 - 18h12
  • CiênciaSete novas espécies de sapos levam o nome de personagens de Star Trek19 out 2024 - 18h10
  • Ciência742 novas espécies foram identificadas em dez anos na Bacia do Congo; veja fotos12 dez 2024 - 19h12

Já quando o assunto é reprodução, adivinhe: as ovelhinhas também surpreendem. Essas lesmas são hermafroditas, ou seja, produzem gametas femininos e masculinos. Dos casinhos de amor saem até 4 mil filhotes.

Embora não estejam em perigo crítico, esses animais enfrentam várias ameaças à sua sobrevivência. Isso inclui a perda de habitat devido à pesca ilegal e destrutiva, que usa dinamite ou cianeto. Apesar de proibidas nas Filipinas, essas práticas continuam a ocorrer.

Continua após a publicidade

A mudança climática agrava o problema, com tempestades mais intensas e o aumento da temperatura e acidez dos oceanos, o que pode danificar os ambientes marinhos e alterar o comportamento dos animais. Além disso, a poluição por plásticos é uma preocupação crescente.

São criaturas delicadas. Os seus corpos são como caracóis sem casca

— disse Genevieve Reyes, mergulhadora e fotógrafa, para a BBC. 
Publicidade

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade