Publicidade
Capa / Curiosidades

Microdoses de cannabis e Alzheimer: o que novo estudo revela sobre o uso de THC e CBD em idosos

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 02/12/2025 às 16:00 · Atualizado há 3 dias
Microdoses de cannabis e Alzheimer: o que novo estudo revela sobre o uso de THC e CBD em idosos
Foto: Reprodução / Arquivo

À medida que a população mundial envelhece, cresce também o número de pessoas vivendo com demências, uma vez que a Doença de Alzheimer. Frente à pouquidade de tratamentos curativos e à eficiência limitada dos medicamentos disponíveis, cresce o interesse por novas abordagens terapêuticas. E entre elas, os canabinoides da vegetal Cannabis.

Um novo estudo brasílico recém publicado no periódico internacional _Journal of Alzheimer’s Disease_ investigou os efeitos de microdoses de extrato de Cannabis em pacientes com Alzheimer ligeiro. Os resultados são discretos, mas carregam uma mensagem promissora: talvez o porvir da cannabis medicinal esteja nas doses invisíveis, e não nos efeitos psicoativos que ainda assustam muitos pacientes e médicos.

A lógica das microdoses

O estudo liderado pelo professor Francisney Promanação e colaboradores na Universidade Federalista da Integração Latino-Americana (UNILA) recrutou pacientes idosos com diagnóstico de Alzheimer ligeiro e avaliou os efeitos do uso quotidiano de um extrato de cannabis contendo THC e CBD em concentrações extremamente baixas. Doses subpsicoativas, que não causam o famoso “barato” associado ao uso recreativo da vegetal e nem tem qualquer risco à saúde. Na verdade, muitos se perguntariam se essa ração provoca qualquer efeito, já que atua no que chamaríamos de “microdose”, para usar um termo frequentemente associado aos psicodélicos.

A escolha dessa abordagem não veio do zero. Em 2017, o grupo de Andreas Zimmer e Andras Bilkei-Gorzo já havia demonstrado que doses muito baixas de THC restauravam a cognição em camundongos idosos, revertendo padrões de frase gênica e densidade sináptica no hipocampo para níveis semelhantes aos de animais jovens.

Na sequência, outros estudos reforçaram que o sistema endocanabinoide, que é importante para a homeostase e plasticidade neural, sofre um declínio proveniente ao longo do envelhecimento.

Continua em seguida a publicidade

Inspirados por essas descobertas, e também por um relato de caso publicado em 2022 pelo mesmo grupo brasílico mostrando melhora clínica em seguida 22 meses de microdoses em um paciente com Alzheimer, os autores decidiram continuar com um experiência galeno randomizado, duplo-cego e controlado por placebo em voluntários humanos.

A invenção

A principal medida de desfecho foi a ADAS-Cog, uma graduação amplamente usada para estimar a função cognitiva em pacientes com demência. Posteriormente 24 semanas de tratamento, o grupo que recebeu o extrato com THC apresentou uma estabilização dos escores, enquanto o grupo placebo teve piora. Foi uma diferença restrita a somente uma das subescalas avaliadas, e observada somente no seguimento de longo prazo, mas mesmo assim, é estatisticamente significativa.

Ou seja, o impacto foi modesto, mas relevante. Em pacientes com função cognitiva ainda preservada ou medianamente comprometida, talvez seja irrealista esperar grandes mudanças em poucas semanas. A real tributo do estudo pode estar em outro ponto: ele sugere que as microdoses podem ter um papel preventivo, funcionando quase uma vez que uma suplementação que protege o cérebro do declínio associado à idade.

Essa hipótese encontra repercussão em outro trabalho brasílico, publicado por mim em 2022 na Translational Psychiatry, que demonstrou a redução do lipoxina A4 (LXA4) no cérebro envelhecido — um mediador pró-resolução da inflamação que atua, entre outros mecanismos, por meio da estimulação do sistema endocanabinoide.

Continua em seguida a publicidade

Um novo paradigma: Cannabis sem “barato”

O maior travanca à roboração da cannabis uma vez que utensílio terapia no envelhecimento cerebral talvez não seja científico, mas cultural. O receio de “permanecer chapado” afasta muitos pacientes e até mesmo profissionais de saúde. Mas estudos uma vez que esse mostram que há caminhos para contornar esse problema, por exemplo utilizando doses tão baixas que não provocam alterações perceptíveis de consciência, mas que ainda podem modular sistemas biológicos importantes, uma vez que a inflamação e a neuroplasticidade.

Microdoses de Cannabis podem evadir da zona de psicoatividade e, ainda assim, entregar benefícios. Isso pode terebrar portas para novas formulações com foco em prevenção, mormente em populações mais vulneráveis, uma vez que idosos com comprometimento cognitivo ligeiro ou histórico familiar de demência.

Compartilhe essa material via:

O que falta saber

Apesar do potencial, o estudo também tem limitações importantes: o tamanho da exemplar é pequeno e os efeitos se restringiram a uma dimensão da graduação de cognição. Ainda assim, o trabalho representa um passo inédito: é o primeiro experiência galeno a testar com sucesso a abordagem de microdoses em pacientes com Alzheimer. É uma novidade forma de encarar a abordagem com esta vegetal no tratamento de doenças importantes.

Continua em seguida a publicidade

Para avançarmos, serão necessários novos estudos com maior número de participantes, tempo de seguimento mais longo e combinação com marcadores biológicos (uma vez que neuroimagem e biomarcadores inflamatórios). Só assim será verosímil responder à pergunta fundamental: cannabis pode prevenir o Alzheimer? Demos um passo importante nesse entendimento, parece que sim, mas por enquanto a pergunta fica no ar.

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=8L2aOhQpUTQ[/embed]


Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade