Começou nesta terça-feira (13) o Festival de Cannes, evento que desde 1946 empresta suas salas de exibição para as estreias de alguns dos filmes mais aguardados do ano e premia destaques do cinema mundial. Na Croisette, avenida famosa da Riviera Francesa, atores, diretores, críticos de cinema e produtores se reúnem para assistir, debater e comprar alguns dos principais lançamentos dos próximos meses.
Na estreia do festival, só um filme é exibido. Nos próximos 10 dias, vão rolar centenas de sessões. Um dos eventos mais importantes dessa largada é a apresentação do júri que escolhe o vencedor da Palma de Ouro, o principal prêmio do festival. A presidente do grupo neste ano é a atriz francesa Juliette Binoche, e a seleção vai desde atores de Hollywood, como Halle Berry e Jeremy Strong, até o diretor sul-coreano Hong Sang-soo.
Vários dos últimos vencedores do Oscar saíram de Cannes: Parasita e Anora foram vencedores da Palma de Ouro. Distribuidoras descoladas como a Neon e a A24 ficam de olho nas estreias do evento francês para comprar os direitos desses filmes e planejar estratégias de campanha para a exibição nos cinemas.
Isso quer dizer que você só vai poder ver a maioria desses filmes daqui a alguns meses; alguns, só no ano que vem. Mas não faz mal: já dá para montar a listinha com mais esperados. Vamos a eles.
Fora de competição (ou em outras competições)
Não é preciso concorrer à Palma de Ouro para marcar presença em Cannes. Alguns longas estreiam na França para pegar o embalo do glamour do festival, sem precisar passar pela competição. É o caso de Missão: Impossível – O Acerto Final, novo filme da franquia estrelada por Tom Cruise. A nova aventura de Ethan Hunt, dirigida por Cristopher McQuarrie com as acrobacias arriscadas de Cruise (que está com 62 anos), estreia no Brasil no dia 22 de maio.
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Também fora de competição está Highest 2 Lowest, a nova parceria entre o diretor Spike Lee e o ator Denzel Washington (que trabalharam juntos em Malcolm X). O filme é uma reinterpretação do clássico High and Low (1963), do mestre do cinema japonês Akira Kurosawa, com a história de ganância empresarial transposta para o mundo do hip-hop e das gravadoras musicais milionárias.
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O Festival de Cannes também conta com a seleção Un certain regard, nome bonito em francês que significa “um certo olhar”. Essa categoria se propõe a premiar trabalhos ousados e inovadores – e, nesse ano ela conta, com as estreias na direção de duas atrizes famosas.
The Chronology of Water foi dirigido pela Kristen Stewart, que já interpretou a Bella de Crepúsculo e a princesa Diana em Spencer. Já Eleanor the Great foi dirigido por Scarlett Johansson, a Viúva Negra do Universo Cinematográfico Marvel.
A competição que antecipa as outras
A maioria dos lançamentos famosos acontecem na competição do festival de Cannes. Alguns desses filmes vão virar favoritos para o Oscar do ano que vem e provavelmente serão distribuídos nos cinemas pelo mundo afora. É o segundo ano consecutivo que o Brasil tem obras concorrendo. Em 2024 o país foi representado por Motel Destino, de Karim Aïnouz – agora, é a vez de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho.
O filme estrelado por Wagner Moura é um thriller político sobre um professor universitário de São Paulo que muda para Recife e percebe que está sendo espionado pelos vizinhos, tudo na década de 1970 durante a ditadura militar. Kleber já passou pelo festival com outros filmes e até ganhou o Prêmio do Júri em 2019 com Bacurau.
Além do filme brasileiro, que pode ser o indicado do país para o Oscar do ano que vem, o festival tem outras escolhas interessantes que saem do eixo Estados Unidos-Europa. Um exemplo é A Simple Accident, o novo filme de mistério do diretor iraniano Jafar Panahi. Ele é um crítico do governo iraniano e já foi preso por causa de suas opiniões políticas. Esse é mais um filme que Panahi dirigiu sem autorização oficial da República Islâmica do Irã, arriscando ser preso de novo.
The Mastermind, da diretora estadunidense Kelly Reichardt, e The History of Sound, do sul-africano Oliver Hermanus, são dois concorrentes fortes para a Palma que compartilham um ator, o badalado Josh O’Connor, de Rivais. O primeiro é um filme policial sobre roubo de obras de arte. O outro é um romance gay na Primeira Guerra Mundial que também conta com o galã Paul Mescal, de Gladiador 2.
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Na linha desses filmes independentes cheios de emoções complicadas vem Sentimental Value, o novo filme do norueguês Joachim Trier. Há poucos detalhes disponíveis sobre o filme, mas parece que Trier e a atriz Renate Reinsve, dupla por trás do hit A Pior Pessoa do Mundo, vão contar a história de como uma casa em Oslo afetou a vida de gerações de pessoas da mesma família.
O novo filme de Ari Aster, diretor de filmes de terror sinistros e populares como Hereditário e Midsommar, também vai estrear em Cannes. Eddington parece ser assustador de outro jeito, levando o espectador de volta para as teorias da conspiração e montanhas de desinformação da época da pandemia. Já dá para ver um teaser:
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Diretores consagrados do cinema independente também vão marcar presença. Richard Linklater (de Boyhood e Antes do Amanhecer) dirigiu Nouvelle Vague, um filme completamente em francês e preto e branco sobre a gravação do clássico Acossado, o filme de Jean-Luc Godard que inaugurou a frutífera década de 1960 para o cinema da terra do croissant. Já o excêntrico e divertido Wes Anderson entra com O Esquema Fenício, novo mistério que até já tem trailer e chega no Brasil em 29 de maio.
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Além desses, outros 14 filmes fazem parte da competição de Cannes. Nos últimos anos, os prêmios do festival têm se mostrado termômetros importantes para a temporada de premiações do ano seguinte. Já dá para começar a torcer pelo Brasil – e por bons filmes para lotar as salas de cinema.