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Erupção vulcânica teria gerado “efeito borboleta” que levou a peste negra à Europa

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/12/2025 às 10:00 · Atualizado há 1 dia
Erupção vulcânica teria gerado “efeito borboleta” que levou a peste negra à Europa
Foto: Reprodução / Arquivo

As circunstâncias que levaram ao início da peste negra na Europa nunca estiveram totalmente esclarecidas. Essa pandemia, que entre 1346 e 1353 matou dezenas de milhões e derrubou populações inteiras, é atribuída à bactéria Yersinia pestis, transportada principalmente por pulgas e roedores.  Mas por que a doença explodiu justamente naquele momento, com tamanha velocidade e obituário?

Um novo estudo publicado na revista Communications Earth & Environment pode ajudar a responder. A pesquisa sugere que o gatilho inicial da crise não veio unicamente de fatores biológicos ou sociais, mas também de uma modificação climática extrema provocada por uma ou mais erupções vulcânicas até portanto desconhecidas, ocorridas por volta de 1345.

O ponto de partida da investigação foram os anéis de incremento de árvores antigas, uma espécie de registro originário de temperatura e umidade ao longo dos anos. Árvores no cume dos Pirineus, na Espanha, chamaram a atenção do dendrocronologista Ulf Büntgen, da Universidade de Cambridge. 

Os anéis referentes aos verões de 1345 e 1346 apresentavam sinais de dificuldade de incremento, uma vez que se estivessem “marcados” por insensível incomum durante a estação que normalmente é a de maior expansão da madeira. 

Ao confrontar esse padrão com cronologias de árvores de outras regiões do continente, Büntgen identificou que praticamente toda a Europa tinha enfrentado verões excepcionalmente frios e úmidos nesses anos – e de maneira consecutiva, o que é vasqueiro.

Camadas de gelo da Groenlândia e da Antártica também registraram picos de súlfur atmosférico nesse período. A substância funciona uma vez que um bloqueador da luz solar quando lançada na atmosfera por grandes erupções. 

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Esses dados, combinados, sugeriam a presença de uma nuvem global de partículas vulcânicas que reduziu temperaturas e alterou a dinâmica climática do continente.

Documentos da quadra, vindos de locais tão distantes quanto Japão e França, reforçam o cenário. Eles relatam anos atipicamente nublados entre 1345 e 1347. Na Itália, registros administrativos descrevem colheitas sofríveis nos verões de 1345 e 1346, além de um aumento súbito no preço dos grãos – o maior em 80 anos. 

Os governos italianos, descreve a historiadora Hannah Barker, da Universidade Estadual do Arizona, que comentou o estudo para à Science, demonstravam preocupação diante do risco de rafa e rebeliões. “Nas fontes, é provável ver governos em pânico, tentando deslindar o que fazer”, afirmou.

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A Itália do século 14 já possuía uma estrutura desenvolvida de transacção de longa intervalo. As repúblicas marítimas, principalmente Veneza e Gênova, dependiam do suprimento extrínseco de trigo e usavam suas rotas no Mediterrâneo e no Mar Preto para prometer a segurança nutrir da população. 

Mas a ensejo política havia se tornado desfavorável. Desde 1343, Veneza e Gênova estavam em guerra com o Poderio Mongol pela disputa de portos estratégicos do Mar Preto, o que interrompeu o transacção com a região.

Com as más colheitas provocadas pelo resfriamento em seguida as erupções, essa ruptura tornou-se insustentável. A partir de 1347, pressionadas pela falta de vitualhas, as cidades italianas retomaram as negociações com os mongóis. Foi uma decisão estratégica para evitar a rafa, mas que também abriu caminho para uma catástrofe maior. 

O início da propagação

Com o embargo rompido, navios carregados de trigo partiram de portos próximos ao Mar de Azov, na atual Crimeia e na Ucrânia. Segundo os autores, é nesse momento que a cárcere climática se conecta diretamente à epidemiológica. 

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Exércitos mongóis que circulavam há anos pela região eram afetados pela Yersinia pestis. As pulgas infectadas sobreviviam em compartimentos cheios de poeira e grãos – envolvente perfeito para serem transportadas a longas distâncias. 

Quando esses navios chegaram ao Mediterrâneo, o caminho estava cândido. As pulgas se espalharam por ratos e, em seguida, por humanos. A peste alcançou primeiro cidades altamente dependentes de grãos importados, uma vez que Veneza e Gênova, e só mais tarde chegou a regiões menos integradas ao transacção marítimo, uma vez que Milão e Roma. 

A dinâmica ajuda a explicar a rota inicial da epidemia, que sempre pareceu abrupta e desproporcional. O estudo também abre espaço para revisões históricas mais amplas. Ele sugere que a pandemia foi consequência de uma convergência improvável de fatores climáticos, agrícolas, econômicos e sociais. 

O resfriamento repentino comprometeu colheitas, que por sua vez pressionaram sistemas políticos já frágeis e levaram à reativação de rotas comerciais. Essas rotas, ao serem restabelecidas, transportaram não unicamente vitualhas, mas os vetores da doença que desencadearia a pior crise demográfica da Europa medieval.

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Os pesquisadores argumentam que esse série é um dos primeiros exemplos documentados das consequências de uma economia globalizada. 

Em expedido, Büntgen afirma que a experiência histórica é relevante para o presente, principalmente à luz de pandemias recentes. Ele também defende que entender essas conexões entre clima, transacção e saúde pública é importante para antecipar riscos futuros. 

“Embora a coincidência de fatores que contribuíram para a peste negra pareça rara, a verosimilhança de doenças zoonóticas surgirem sob as mudanças climáticas e se transformarem em pandemias provavelmente aumentará em um mundo globalizado”, disse. “Isso é principalmente relevante considerando nossas experiências recentes com a Covid-19.”

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