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DNA revela quem construiu misteriosa cidade de 4 mil anos na China

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 30/11/2025 às 08:00 · Atualizado há 3 dias
DNA revela quem construiu misteriosa cidade de 4 mil anos na China
Foto: Reprodução / Arquivo

Desde que foram descobertas, em 2012, as ruínas de Shimao intrigam historiadores. Essa cidade pré-histórica, com grandes muros e um palácio médio para as elites, floresceu entre 2300 a.C. e 1800 a.C., às margens do Rio Amarelo na atual província de Shaanxi, no nordeste da China. Ela foi contemporânea à cultura Longshan, que habitou a região das Planícies Centrais na quadra – mesmo lugar onde, mais tarde, as primeiras dinastias da cultura chinesa surgiriam. Apesar disso, pouco se sabe sobre ela.

Porquê esse núcleo urbano, localizado muito mais ao setentrião de outras cidades da quadra e aparentemente deslocado do resto da China pré-histórica, surgiu e se desenvolveu? E porquê ele se encaixa na historiografia chinesa?

Foi tentando responder essas perguntas que cientistas da Liceu Chinesa de Ciências analisaram amostras de DNA de 144 pessoas que viveram em Shimao e seus periferia entre 4,8 milénio e 3,6 milénio anos detrás. Os resultados, publicados na revista Nature, revelam uma cultura marcada por estratificação social e sacrifícios humanos.

Mistério pré-histórico

A localização de Shimao é seu ponto mais intrigante. Ela fica mais ao setentrião do que outras culturas neolíticas da China, que se desenvolveram entre os rios Amarelo e Yangtze. Essa região das “Planícies Centrais” (Zhongyuan, em chinês) é considerada o princípio da cultura chinesa, e foi lá que as primeiras dinastias se fixaram. Os periferia de Shimao, por sua vez, foram por muito tempo considerados uma espaço remota; muito mais tarde, as dinastias chinesas construíram a Grande Paredão nessa mesma região para se proteger dos ataques de povos do setentrião.

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Um núcleo urbano desenvolvido – com 4 km², considerado bastante grande para sítios arqueológicos dessa quadra – fora desta região parece um ponto fora da curva na China pré-histórica. Outrossim, sua arquitetura é notavelmente distinta das construções contemporâneas: a cidade era feita principalmente de pedra esculpida, e não de terreno batida, porquê era generalidade mais ao sul.

Porquê Shimao só foi invenção em 2012, muitas informações sobre ela ainda são desconhecidas. A principal questão era quem a construiu: seria essa cultura parente das sociedades mais ao sul?

As análises dos genomas antigos indicam que os habitantes de Shimao habitavam a região por pelo menos 1.000 anos antes da cidade ser construída, ou seja, eram uma população lugar. Mesmo assim, eles tinham parentesco com a cultura Yangshao, que habitou a região das Planícies Centrais, mais ao sul, entre 6000 a.C. e 3000 a.C. Ou seja: esse povo de traje tinha raízes no “princípio da cultura chinesa”, mas migrou para o setentrião e, mais tarde, fundou a cidade murada.

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Os indivíduos analisados no estudo foram encontrados em túmulos que incluíam até quatro gerações, revelando assim laços familiares de Shimao, principalmente pela linhagem masculina. A estudo dos cientistas indica que a cidade tinha uma estrutura social patrilinear e patrilocal, ou seja, o status social e o poder eram herdados de pai para rebento e as esposas se mudavam para viver com a família de seus maridos.

Além do parentesco com a cultura Yangshao, localizada ao sul, os pesquisadores também encontraram algumas contribuições genéticas dos povos das estepes que viviam mais ao setentrião de Shimao, muito porquê similaridades culturais, porquê na cerâmica e nos artefatos de bronze encontrados. Isso sugere que havia qualquer tipo de contato entre os povos, ainda que restringido.

O cláusula também revela que sacrifícios humanos aconteciam em grande graduação em Shimao – um tanto que estudos anteriores já revelavam. Em outras escavações arqueológicas, por exemplo, 80 crânios humanos foram encontrados enterrados sob um dos portões da cidade.

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Mas o estudo traz uma novidade: antes, acreditava-se que a maioria das vítimas dos sacrifícios humanos eram mulheres. O DNA desses crânios, porém, revelou que 9 em cada 10 eram homens. Por outro lado, também havia evidências de que mulheres eram as principais entre os sacrifícios encontrados em dois cemitérios da cidade. Isso significa que provavelmente havia rituais distintos e específicos de sacrifício para cada sexo. 

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